Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Lucimara Moreira da Silva
Ludmila de Vasconcelos Machado Guimaraes
Mayara Rodrigues da Cunha
Este artigo analisou a construção da trajetória laboral de mulheres engenheiras que transitaram para a docência. A pesquisa foi embasada na Sociologia Clínica, nas Relações Sociais de Sexo e na Divisão Sexual do Trabalho, e teve como foco duas engenheiras egressas do Programa Especial de Formação Pedagógica de Docentes (PEFPD), atualmente professoras na Educação Básica. Utilizou-se a abordagem teórico-metodológica da História de Vida, combinada com o Projeto Parental (GAULEJAC, 2004), a Análise das Trajetórias Sociais (GAULEJAC, 2004) e as Entrevistas com Mediação (GUIMARÃES, 2014), para observar as influências das forças familiares, eventos significativos e as características sociais e históricas nas histórias das entrevistadas. A organização das narrativas destacou a construção social do feminino e evidenciou elementos comuns que impactaram suas trajetórias profissionais. Constatou-se que, embora a socialização feminina tenha influenciado a trajetória profissional, a construção de carreira dessas mulheres foi fortemente marcada por escolhas subjetivas, histórico familiar e o contexto político e socioeconômico em que estavam inseridas. Observou-se que a trajetória profissional vai além das escolhas individuais, sendo influenciada por uma série de fatores. O estudo visa contribuir para o avanço das discussões na Sociologia Clínica e nas Epistemologias Feministas.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Jefferson Lopes La Falce
O bem-estar no trabalho é essencial para a saúde mental e a produtividade, sendo influenciado por fatores individuais, contextuais e organizacionais. Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre variáveis sociodemográficas, condições laborais e dimensões de prazer, sofrimento, burnout, satisfação no trabalho e satisfação com a vida entre servidores e terceirizados de instituições públicas. Adotou-se abordagem quantitativa e descritiva, com aplicação de questionários estruturados e escalas validadas para mensuração dos construtos, analisando diferenças entre grupos por meio de testes não paramétricos e cálculo de tamanhos de efeito. Os resultados mostraram diferenças significativas entre grupos: homens apresentaram maior custo físico, enquanto mulheres relataram maior prazer e satisfação; solteiros tiveram mais despersonalização e chefias maior satisfação com promoções. Conclui-se que fatores sociodemográficos e hierárquicos influenciam fortemente o bem-estar no trabalho, destacando-se a necessidade de políticas organizacionais voltadas ao reconhecimento, suporte social e desenvolvimento profissional.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Carlos Mateus Dantas De Sousa
Juliana Vieira Corrêa Carneiro
Janaina dos Santos Benvindo
José Guilherme Corrêa Carneiro
Sonia Regina Amorim Soares de Alcantara
Francisca Rozangela Lopes de Sousa
A presente pesquisa teve como objetivo investigar o estresse ocupacional em mecânicos e pilotos de uma empresa responsável pela manutenção de helicópteros. Para tanto, buscou-se identificar as variáveis estressoras associadas às atividades profissionais, as estratégias de enfrentamento do estresse, os sentimentos em relação ao trabalho, a concepção atribuída à atividade laboral e o nível de estresse e seus sintomas. O estudo foi realizado por meio da aplicação de um questionário estruturado, contemplando dados sociodemográficos e socioprofissionais, atividades estressoras, estratégias de coping, percepções e satisfação no trabalho, além da avaliação dos efeitos do estresse na saúde, por meio do Inventário de Sintomas de Stress de Lipp. Os resultados evidenciaram que 28,57% dos mecânicos e 33,33% dos pilotos encontravam-se no estágio de resistência, enquanto a maioria dos participantes não se enquadrava em nenhum dos estágios do estresse. O convívio com o chefe imediato foi apontado como a atividade mais estressante pelos mecânicos, ao passo que, para os pilotos, foi considerada a menos estressante. Quanto às estratégias de enfrentamento, destacou-se a antecipação das consequências negativas entre os mecânicos e o maior envolvimento nas tarefas entre os pilotos.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Jefferson Lopes La Falce
Renato Koch Colomby
Ludmila de Vasconcelos Machado Guimaraes
Este artigo buscou analisar o contexto organizacional, os níveis de estresse percebido, as estratégias de coping e a sintomatologia depressiva de trabalhadores de uma escola politécnica voltada à pesquisa e à educação em saúde. Utilizou-se um estudo quantitativo, de delineamento transversal, realizado com servidores e terceirizados da instituição. Foram utilizados instrumentos validados para avaliação do contexto organizacional, custo humano no trabalho, estresse, coping e depressão, analisados utilizando estatística uni e bivariada. Os resultados indicaram predomínio de estresse percebido em nível moderado, com presença de casos de alto estresse. Os custos cognitivo e afetivo mostraram-se elevados, configurando-se como os principais fatores de desgaste laboral. Observou-se prevalência de sintomas depressivos em mais da metade da amostra, predominantemente em níveis leves a moderados, embora casos moderados a severos e severos também tenham sido identificados. As análises bivariadas evidenciaram maior percepção de custo físico entre homens e menor nível de coping entre trabalhadores em cargos de chefia. Conclui-se que os trabalhadores vivenciam níveis relevantes de estresse, desgaste cognitivo e afetivo e sintomas depressivos, ainda que o estudo não permita estabelecer relações causais ou inferenciais entre o contexto organizacional e os desfechos de saúde mental.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Clarice Rodrigues Pinheiro
Roberta Vedana
O tema de saúde mental e trabalho tem sido debatido de forma mais abundante, especialmente no período pós-Covid-19. Recentemente, não somente a lista de doenças relacionadas ao trabalho foi atualizada, como houve a promulgação da lei 14.831/2024, a qual instituiu o certificado de empresa promotora da saúde mental. Ainda, a recente atualização da NR-01 vem exigindo das empresas ajustes efetivos de forma a gerenciar riscos psicossociais, que tenham por consequência um ambiente de trabalho mais saudável. Neste sentido, esta pesquisa teve por objetivo investigar, junto a gestores e colaboradores, se existem programas e/ou iniciativas de prevenção e promoção em saúde mental nas respectivas organizações em que estão inseridos, assim como suas percepções dos reflexos dessas ações. Para tanto, foi feita uma pesquisa descritiva-exploratória, a qual fez uso de abordagem mista (quantitativa e qualitativa) com emprego de questionário junto a 111 respondentes e posterior tratamento dos dados com estatística descritiva, além de aplicação da análise de conteúdo para interpretação das perguntas abertas. Os resultados da pesquisa apontaram para uma presença significativa de programas e/ou iniciativas voltadas para a saúde mental nas empresas, de acordo com a maioria dos respondentes, e uma percepção predominantemente positiva de seus efeitos na rotina laboral.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Milka Alves Correia Barbosa
JOSE RODOLFO TENÓRIO LIMA
Isabelly Manoele da Silva
Fernanda Roda de Souza Araújo
O artesanato é uma atividade de relevância social, econômica e cultural para grande parte da sociedade e conta com número significativo de trabalhadores que têm nele seu ofício. Nesta perspectiva, estudar as vivências de prazer e sofrimento no trabalho dos mestres artesãos pode trazer insights e contribuições importantes para temática, a partir da percepção desse grupo. Esta investigação teve como objetivo conhecer as vivências de prazer e sofrimento no trabalho de mestres artesãos. A perspectiva qualitativa adotada nesta pesquisa justifica-se pelo fato dela obter a compreensão da dinâmica das vivências de prazer e sofrimento no trabalho. As vivências de prazer no trabalho são associadas a temas como a criatividade, vida e satisfação, evidenciando ainda que as atividades laborais vão para além do ofício e perpassam a vida pessoal, já que possuem uma vasta trajetória exercendo o trabalho de artesão. Como vivências de sofrimento, fatores como a decepção e frustração são recorrentes no contexto laboral e estão atrelados ao âmbito externo, a exemplo da falta de apoio do Estado e questões relacionadas a venda, dentre outros.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Anderson de Souza Sant Anna
Across contemporary work settings, clinical listening increasingly encounters a paradox: activity persists, and often intensifies, while work’s capacity to sustain symbolic inscription weakens. Subjects remain mobilized, connected, and continuously evaluated, yet report detachment, loss of recognition, and difficulty taking place in what they do. Drawing on French clinics of work and psychosociology, this conceptual article argues that such malaise cannot be reduced to overload, burnout, or motivational deficit. Instead, it indicates an erosion in the mediating function through which work historically linked constraint, desire, and social recognition. The article introduces occupability to name the organizational and institutional conditions that enable, or undermine, the possibility of inhabiting work symbolically when activity no longer guarantees continuity, recognition, or meaning. Unlike employability, engagement, resilience, or meaningful work, occupability is not an individual competence or psychological state. It designates a property of evaluative, temporal, and collective arrangements that make work inhabitable as a site of presence, narrative coherence, and ethical orientation. Building on this move, the article proposes a clinic of occupability as an analytical dispositif, attentive to symbolic erosion, discontinuity, and modes of endurance produced through evaluative saturation and visibility, rather than through shared inscription within stable collective frameworks of work situations.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Lilian Lucht Carneiro
Renato Koch Colomby
Micheli de Jesus Ferreira
ANTONIO SOARES JUNIOR DA SILVA
Este ensaio teórico tem como objetivo problematizar a dupla (ou múltipla) jornada das mulheres a partir da distinção entre trabalho dito produtivo e trabalho reprodutivo, compreendidos como dimensões socialmente organizadas do trabalho. Toma-se como referencial central a Psicodinâmica do Trabalho, buscando refletir sobre como a organização dessas múltiplas exigências incide sobre as experiências de sofrimento, reconhecimento e sentido do trabalho. Parte-se da compreensão de que a divisão sexual do trabalho, historicamente construída sob uma lógica patriarcal, atribui às mulheres a responsabilidade social pelo cuidado e pelo trabalho doméstico, mesmo diante da ampliação de sua inserção no trabalho assalariado. A coexistência dessas demandas produz impactos relevantes sobre a subjetividade e a saúde das trabalhadoras. Metodologicamente, o ensaio configura-se como uma incursão teórico-reflexiva, em diálogo com autores da Psicodinâmica do Trabalho, dos estudos de gênero e da divisão sexual do trabalho. Discute-se como a organização do trabalho, em suas dimensões produtiva e reprodutiva, estrutura mediações entre prazer e sofrimento, destacando a centralidade do reconhecimento na construção de sentido. Conclui-se que o desgaste vivenciado pelas mulheres constitui um fenômeno socialmente produzido, ancorado em arranjos estruturais e simbólicos que sustentam a concentração das responsabilidades de cuidado e seus efeitos sobre a saúde.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Letícia Dall Ago
Anelise D'Arisbo
O presente estudo aborda os efeitos das fragilidades da saúde ocupacional para a qualidade de vida dos profissionais, em especial, na logística. Diante desse cenário, o objetivo do estudo foi compreender relações entre saúde ocupacional e rotatividade no setor logístico no Estado do Rio Grande do Sul. A metodologia utilizada foi essencialmente quantitativa, com aplicação de questionário estruturado em escala Likert e posterior análise estatística descritiva. Os resultados indicam que a percepção de estresse é elevada entre os profissionais, influenciando negativamente o desempenho e favorecendo o intuito de desligamento. Verificou-se que o reconhecimento no trabalho, aliado à saúde e ao bem-estar dos trabalhadores, desempenha um papel essencial na permanência e no desempenho profissional. Além disso, o perfil da amostra revelou fragilidades significativas nas organizações no que se refere ao apoio à saúde mental e ao bem-estar dos trabalhadores. Alega-se que a rotatividade no setor logístico está relacionada às condições emocionais e estruturais vivenciadas no ambiente de trabalho, reforçando a necessidade de práticas de gestão mais humanizadas e integradas à promoção da saúde ocupacional e que estas configuram não um custo, mas investimento em capital humano.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Daniela de Souza Silva
Eliana Marcia Martins Fittipaldi Torga
Jurema Ribeiro de Faria
A saúde mental dos professores tem se consolidado como uma questão estratégica para a gestão de pessoas no setor público educacional, em função de seus impactos sobre o desempenho organizacional, a sustentabilidade das redes de ensino e a capacidade estatal de provisão de educação pública. Apesar do crescimento da produção acadêmica, a literatura permanece fragmentada, com predomínio de abordagens individualizantes e escassez de modelos teóricos capazes de articular condições de trabalho, saúde mental e efeitos institucionais. Diante desse cenário, este ensaio teórico propõe um modelo integrativo para a compreensão da saúde mental docente no ensino público, articulando antecedentes organizacionais do trabalho docente aos seus consequentes organizacionais e institucionais. Com base em referenciais da gestão de pessoas, do comportamento organizacional e das relações de trabalho, argumenta-se que sobrecarga e intensificação do trabalho, desequilíbrio esforço–recompensa, baixo suporte organizacional percebido e práticas de liderança não promotoras de saúde configuram antecedentes centrais do adoecimento mental docente. Sustenta-se que esse adoecimento produz efeitos cumulativos sobre desempenho, absenteísmo, retenção profissional e custos públicos, retroalimentando fragilidades na governança do trabalho docente.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Esther Silva Barbosa
Ludmila de Vasconcelos Machado Guimaraes
Admardo Bonifácio Gomes Júnior
Renato Koch Colomby
O presente artigo analisou os desdobramentos do fechamento de unidades municipais do Ministério Público Federal (MPF), ocorrido em 2023, na vivência de seus servidores, à luz da Psicodinâmica do Trabalho. Partindo da compreensão de que a baixa participação em processos decisórios constitui fator de risco psicossocial, o estudo investiga como a exclusão dos servidores da definição das unidades a serem extintas impactou o reconhecimento, o pertencimento institucional e o coletivo de trabalho. Trata-se de um estudo de caso qualitativo, baseado em entrevistas semiestruturadas com treze servidores afetados pelo processo, analisadas por meio de análise de conteúdo. Os resultados indicam que, além dos efeitos objetivos das mudanças administrativas, a percepção de ausência de participação e de critérios transparentes intensificou sentimentos de injustiça, vulnerabilidade e fragilização do reconhecimento profissional. Argumenta-se que decisões organizacionais de grande impacto, mesmo fundamentadas em racionalidade administrativa, produzem efeitos subjetivos relevantes, evidenciando a importância de mecanismos institucionais de participação e escuta qualificada para a preservação da saúde psicossocial no trabalho.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Amanda Maria Cândido Macena
VANESIA DE LIMA XAVIER
Walter Araújo de Lima Filho
Este ensaio teórico analisa a cultura organizacional como mediadora estrutural entre a racionalidade produtivista contemporânea e os processos de saúde e adoecimento mental no trabalho, à luz da Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT). Parte-se da premissa de que a cultura organizacional não se restringe a um conjunto de valores compartilhados, mas opera como dispositivo de produção de subjetividades, estruturando expectativas normativas, afetivas e performativas que incidem diretamente sobre a experiência laboral. Argumenta-se que a cultura apresenta caráter ambivalente: pode atuar como fator protetivo, ao promover reconhecimento, autonomia e segurança psicológica, ou como mecanismo de intensificação do sofrimento, quando orientada por imperativos de desempenho e meritocracia exacerbada. Propõe-se uma matriz analítica composta por quatro dimensões: simbólica, normativa, performativa e subjetiva. Essa proposta visa a compreensão de como valores organizacionais se articulam à saúde mental dos trabalhadores. Defende-se, ainda, que a POT deve assumir postura crítico-transformadora, superando abordagens meramente adaptativas e contribuindo para a revisão das condições culturais que estruturam o cotidiano organizacional. Ao sistematizar essa perspectiva, o ensaio oferece base conceitual para futuras investigações empíricas e para o desenvolvimento de práticas organizacionais que equilibrem desempenho e cuidado.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Vanessa Amaral Prestes
Isadora Ribeiro
Este estudo analisa a produção de curtas-metragens como dispositivo pedagógico no ensino de Administração, com foco na reflexão sobre saúde mental no trabalho. Partindo do reconhecimento de que o sofrimento psíquico constitui dimensão estrutural das dinâmicas contemporâneas de organização e gestão do trabalho, o artigo problematiza a predominância de abordagens conceituais e textuais na formação gerencial e investiga alternativas metodológicas capazes de integrar sensibilidade e elaboração experiencial. A pesquisa é qualitativa, de natureza exploratória, desenvolvida a partir de uma intervenção pedagógica na disciplina Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho, em uma instituição de ensino superior do sul do Brasil. Os dados foram produzidos por meio de questionários com 38 estudantes respondentes. Os resultados indicam que a produção audiovisual mobilizou dimensões afetivas e reflexivas da aprendizagem, favorecendo processos de identificação, reconhecimento coletivo e problematização das condições organizacionais associadas ao adoecimento. Considera-se que estudo contribui para três frentes: o debate sobre ensino em Administração, ao propor o audiovisual como dispositivo formativo; os estudos críticos do trabalho, ao explorar modos de elaboração pedagógica acerca de saúde mental; e a discussão sobre metodologias ativas, ao examinar seus efeitos na construção de sentidos sobre gestão e subjetividade.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Brenda Letícia dos Santos
Diego Costa Mendes
A tatuagem, embora cada vez mais popular, ainda enfrenta resistências na esfera profissional. Diante desse contexto, o presente estudo buscou analisar as percepções de indivíduos tatuados sobre a relação entre suas marcas corporais e suas experiências profissionais, considerando aspectos como identidade, imagem, reconhecimento e eventuais impactos na carreira. A pesquisa foi conduzida a partir de uma abordagem qualitativa, mediante entrevistas realizadas com 22 participantes. Os relatos foram trabalhados através da análise de conteúdo e possibilitaram identificar que a tatuagem é central na construção da identidade dos sujeitos tatuados, mas colide com estigmas persistentes na sociedade e no mercado de trabalho. Observou-se a existência de barreiras de acesso e preconceitos, intensificados por questões de gênero, raça e classe, o que leva muitos profissionais a adotarem estratégias de ocultamento e autocensura. Apesar de uma certa resistência individual e da desconstrução cotidiana de estereótipos, o corpo tatuado ainda enfrenta limitações significativas para o reconhecimento profissional.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Aline Maria Reinbold Simões
Fernanda Tarabal Lopes
Este ensaio teórico discute as possibilidade da aproximação da Psicodinâmica do Trabalho dos conceitos e práticas das abordagens das epistemologias feministas decoloniais e da teoria da interseccionalidade na compreensão do prazer, do sofrimento e do adoecimento feminino no trabalho contemporâneo. Partimos das críticas à Psicodinâmica do Trabalho realizadas por Helena Hirata, Danièlle Kergoat e Pascale Molinier, que indicam que uma concepção universalizante de trabalhador, marcada por uma neutralidade androcêntrica, tende a invisibilizar as experiências específicas das mulheres. Em diálogo com as epistemologias feministas e a perspectiva da interseccionalidade, o ensaio sustenta que gênero, raça e classe não podem ser tratados como variáveis adicionais, mas como dimensões constitutivas da relação entre trabalho e subjetividade. O texto propõe, assim, deslocamentos teóricos que ampliem a compreensão do sofrimento laboral e fortaleçam práticas clínicas e institucionais mais sensíveis às desigualdades estruturais.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Paula Caldas Brognoli
Rafael Alcadipani da Silveira
Pablo Nolasco Isla Madariaga
A identidade ocupacional é central para compreender como os indivíduos atribuem sentido ao trabalho, influenciando bem-estar, motivação e desempenho. Nos Estudos Organizacionais, embora o tema tenha avançado, ainda são limitadas as análises que investigam sua construção em ocupações altamente regulamentadas e socialmente escrutinadas, especialmente em contextos de intensificação tecnológica.Este ensaio teórico analisa como a identidade ocupacional no trabalho policial é construída e reconfigurada diante de processos de digitalização, vigilância e transformação organizacional. A partir de uma revisão crítica e integrativa da literatura, o artigo articula os debates sobre identidade ocupacional, trabalho e tecnologias emergentes, sustentando que a identidade policial é co-produzida por arranjos sociotécnicos que redefinem práticas, valores e fronteiras de legitimidade.Como contribuição, o estudo propõe uma agenda de pesquisa situada no contexto do Sul Global, ampliando o debate nos Estudos Organizacionais ao oferecer enquadramentos analíticos para compreender os efeitos das tecnologias digitais sobre o trabalho policial e suas dinâmicas identitárias.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
Camila Lemos Nicodemo
Ainda que o trabalho decente seja promovido como parâmetro normativo global, a atuação em organizações intensivas em conhecimento, como as jurídicas, acontece em um cenário de tensões e conflitos. Este estudo investiga como a cultura organizacional de escritórios de advocacia molda a percepção do que é — ou não é — trabalho decente no início da carreira e sua relação com o bem-estar psicológico dos recém-formados. Realizou-se pesquisa qualitativa com 13 entrevistas semiestruturadas com advogados com até cinco anos de atuação, em escritórios de diferentes portes de São Paulo. Os dados foram interpretados por meio da análise temática reflexiva, concatenando psicodinâmica do trabalho, cultura organizacional e estudos de carreira. Os resultados indicam que o trabalho decente é vivido como experiência relacional, impactado por três dispositivos culturais: captura do tempo e valorização da disponibilidade, reconhecimento condicional orientado à performance e silenciamento do sofrimento em contextos de baixa segurança psicológica. Nesse arranjo, o cuidado é deslocado para a esfera privada e trajetórias de permanência, negociação de limites ou saída planejada aparecem como estratégias situadas de enfrentamento. O estudo explicita mecanismos culturais que sustentam o descompasso entre normas de dignidade e experiência vivida e aponta implicações para gestão do tempo, reconhecimento e práticas
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho, Organizações e Subjetividade
RENATA KELLY ALVES FONSECA
O presente trabalho analisa como o imaginário social da cultura do management, enquanto expressão simbólica do neoliberalismo, influencia a construção da policy image e o policy design das políticas de emprego e renda no Estado de Minas Gerais. Partindo da discussão sobre a transição e reconfiguração do Estado de Bem-Estar Social argumenta-se que o neoliberalismo não elimina as políticas sociais, mas as ressignifica a partir de princípios gerencialistas como eficiência, responsabilização individual, meritocracia e foco em resultados. A pesquisa, de caráter qualitativo e documental, examina o Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI) 2019–2030 e o Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) 2024–2027, identificando como seus princípios, bandeiras e objetivos estratégicos incorporam valores associados à cultura do management. Os resultados indicam que a ênfase na autonomia, no empreendedorismo e na competitividade desloca a responsabilidade pela geração de emprego e renda para os indivíduos, ao mesmo tempo em que redefine a atuação estatal como reguladora e fiscalmente restritiva. Conclui-se que a política social é reconfigurada para operar na gestão da vulnerabilidade e da precariedade, produzindo uma subjetividade alinhada ao “Self-empreendedor” e consolidando uma governamentalidade neoliberal.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
Luciano Rafael Knevitz Cezimbra
Gabriele D Mercali
O objetivo deste estudo consistiu em analisar como o regime de trabalho remoto afeta a saúde mental dos colaboradores do setor de gestão de pessoas de uma empresa multinacional de comércio digital. A metodologia adotada foi qualitativa, com realização de entrevistas semiestruturadas junto a oito profissionais do setor investigado, seguida de análise de conteúdo conforme Bardin. Os resultados evidenciaram que o teletrabalho produziu efeitos benéficos sobre a saúde mental dos colaboradores, manifestando-se através de melhorias na qualidade de vida e redução de estressores característicos do ambiente presencial. Contudo, emergiram desafios específicos relacionados ao isolamento social, à gestão de limites entre vida pessoal e profissional, e às demandas psicológicas específicas do trabalho virtual. A análise revelou um modelo integrado de sustentação do teletrabalho organizado em três dimensões interdependentes: estrutural, compreendendo autonomia temporal e suporte material; relacional, englobando práticas comunicacionais e rituais organizacionais; e individual, abarcando estratégias de autocuidado e autorregulação. As práticas organizacionais da empresa estudada demonstraram efetividade no suporte estrutural e tecnológico, embora tenham sido identificadas lacunas no âmbito do suporte psicossocial coletivo.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
Sandra Leite da Silva
Paulo Lourenço Domingues Junior
A presente pesquisa teve como objetivo investigar os fatores estressores percebidos por servidores de uma Autarquia Municipal do Rio de Janeiro no exercício de atividades administrativas, bem como identificar as estratégias de enfrentamento adotadas diante desses fatores. Trata-se de uma pesquisa de campo, com abordagem metodológica mista, integrando métodos quantitativos e qualitativos. Para a coleta de dados, utilizou-se a Escala de Estresse no Trabalho (EET), desenvolvida por Paschoal e Tamayo (2004), composta por assertivas avaliadas por meio da escala Likert. Complementarmente, foi realizado um grupo focal com servidores selecionados, visando aprofundar a compreensão das respostas mais recorrentes identificadas na etapa quantitativa. Os dados qualitativos foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo. O questionário foi aplicado aos 27 servidores da autarquia, obtendo-se 24 respostas válidas, correspondendo a 89% da população investigada. Os resultados da análise indicaram a presença de um nível médio de estresse no contexto organizacional. Além disso, os principais fatores estressores, em ordem decrescente de relevância, foram: discriminação e favoritismo no ambiente de trabalho; limitações nas perspectivas de crescimento na carreira; falhas na divulgação das informações organizacionais; insuficiência de treinamentos voltados à capacitação profissional; e a forma de distribuição das tarefas na organização.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
Denise Rossato Quatrin
Loneliness has become a central concern in today’s interconnected yet fragmented world. This study investigates loneliness among digital nomads (DNs), globally mobile workers who use technology to perform tasks while remaining location independent. Drawing on conservation of resources (COR) theory, we examine how personal and contextual resources shape loneliness and intentions to abandon the digital nomad experience. Using survey data from 226 DNs representing 50 nationalities, our findings reveal a shift from contextual to personal resources in explaining loneliness. In this sample, characterized by constant relocations and technological dependence, the external environment loses relevance, making resilience against loneliness increasingly reliant on individual capacities. Specifically, cultural adaptation skills mitigate loneliness, whereas extensive international experience amplifies it. Among contextual resources, higher living costs heighten loneliness, while humane orientation, defined as the degree to which a society values fairness, altruism, and concern for others, exerts no significant effect. Greater loneliness, in turn, increases intentions to abandon the lifestyle.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
Tatiana Iwai
Rinaldo Artes
Adriana Bruscato Bortoluzzo
Lina Eiko Nakata
THIAGO BEZERRA DE MENEZES RIVA
Although extensive research has examined personal mindsets, much less is known about the effects of organizational mindsets on outcomes at the organizational level. Drawing on social exchange theory and signaling theory, we investigate whether organizational growth mindsets reduce collective turnover through developmental HR practices. We use a unique dataset that integrates three independent sources of organizational data: collective turnover rates, coded assessments of organizational mindsets from mission statements, and an index of developmental HR practices scored from company documents. The final sample includes 162 organizations of varying sizes operating across diverse sectors. Our results show that organizational growth mindsets are negatively associated with collective turnover and that developmental HR practices mediate this relationship. These findings extend research on organizational mindsets by demonstrating that these shared beliefs shape a concrete organizational-level outcome and that developmental HR practices operate as visible signals through which organizations convey their growth-oriented beliefs about human potential.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
Beatriz Silva Tupiniquim Freitas de Abreu
Employee Resources Groups [ERGs] have emerged as a prominent diversity and inclusion initiative, generally representing a volunteer-based approach within organizations. Previous research has shown great benefits from ERG, but still, there is a lack of research concerning the impact on individuals, especially in the participants. This study addresses this gap by exploring the relationship between participation in ERGs and the job demands-resources [JD-R] model, particularly focusing on emotional exhaustion as an adverse outcome. The JD-R model provides a good perspective for understanding the consequences of being an ERG member and contributes to the ERG literature by theoretically examining how ERG activities relate to the JD-R theory. This paper presents a model where the outcomes of ERG can be different, whether the employees from minority groups are ERG members or not. By shedding light on this dynamic, organizations can enhance their ERG initiatives and improve their structures to achieve beneficial outcomes while fostering diversity and inclusion.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
Kely Cesar Martins de Paiva
Michelle Regina Santana Dutra
Ricardo Ken Fujihara
Fernanda Medrado Silva Moreira
O objetivo deste estudo foi analisar, sob perspectiva longitudinal, a evolução dos valores pessoais e das competências profissionais de jovens trabalhadores, na percepção deles próprios, após a pandemia de Covid-19, com base em duas coletas realizadas em 2019 (1.999 questionários válidos) e 2025 (570 questionários válidos). A amostra foi composta por jovens em início de trajetória laboral, vinculados a programa estruturado de aprendizagem. Adotou-se delineamento longitudinal comparativo, com reaplicação do mesmo instrumento nos dois períodos, assegurando equivalência metodológica. As análises envolveram estatística descritiva e bivariada, por meio do teste t de Student, com apoio dos softwares R e SPSS. Os resultados evidenciam relativa estabilidade dos valores pessoais ao longo do tempo, embora sensíveis a rearranjos contextuais, corroborando a teoria de valores humanos. Verificou-se que esses valores orientam a mobilização e o desenvolvimento das competências profissionais, com maior consolidação das dimensões éticas, políticas e contextuais, além de alinhamento com valores organizacionais. Sob a perspectiva do Comportamento Organizacional, os achados indicam que programas de inserção profissional protegida constituem espaços relevantes de socialização valorativa e formação inicial, contribuindo para o debate sobre trabalho decente e sustentabilidade organizacional, em consonância com o ODS 8, além de apontar contribuições, limitações e sugestões para pesquisas futuras.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
César Henrique Souza Lima
Bianca de Jesus Rabelo
Este estudo analisa de forma integrada os determinantes da satisfação com os critérios de promoção na carreira no setor bancário, considerando a percepção de justiça organizacional, diversidade, liderança inclusiva e clima ético. Com base em uma abordagem quantitativa, descritiva e de corte transversal, foram coletados dados primários junto a 119 bancários por meio de questionário estruturado. A análise foi conduzida por meio da modelagem de equações estruturais com mínimos quadrados parciais (PLS-SEM), utilizando o software SmartPLS 4. Os resultados evidenciam que a percepção de justiça organizacional exerce influência direta e positiva sobre a satisfação com os critérios de promoção, confirmando seu papel central na avaliação das práticas de carreira. Verificou-se ainda que a percepção de diversidade impacta indiretamente a satisfação com promoções, sendo esse efeito mediado pela justiça organizacional. No entanto, a liderança inclusiva e o clima ético não apresentaram efeitos diretos significativos na amostra estudada. De modo geral, os achados reforçam a importância de sistemas de promoção transparentes, éticos e alinhados a práticas inclusivas para ampliar a satisfação dos bancários com suas trajetórias de carreira, contribuindo tanto para o avanço teórico quanto para a formulação de políticas de gestão de pessoas no setor financeiro.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
Larissa Carvalho de Morais
Anderson Antônio de Lima
O presente estudo analisa os desafios e perspectivas da inteligência emocional no contexto do home office durante e após a pandemia de Covid-19, buscando compreender como gestores e colaboradores lidam com demandas emocionais, cognitivas e comportamentais intensificadas pelo trabalho remoto. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, utilizando entrevistas semiestruturadas com oito participantes de empresas de médio porte dos setores de serviços e tecnologia. As entrevistas foram analisadas mediante Análise de Conteúdo, permitindo identificar categorias relacionadas ao estresse, autorregulação emocional, comunicação, produtividade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Os resultados demonstram que, embora o home office ofereça benefícios como flexibilidade e autonomia, também amplia sentimentos de sobrecarga, isolamento social e dificuldade de estabelecer limites entre rotina pessoal e profissional. Profissionais com níveis elevados de inteligência emocional apresentam maior adaptação ao modelo remoto, lidam melhor com pressões e mantêm relações de trabalho mais saudáveis. Organizações que adotam práticas estruturadas de suporte emocional, como treinamentos socioemocionais, acompanhamento psicológico, feedback contínuo e comunicação humanizada, apresentam equipes mais engajadas, menor incidência de conflitos e melhor desempenho geral. Assim, os achados reforçam que a inteligência emocional constitui competência essencial para o cenário pós-pandêmico, contribuindo para ambientes de trabalho mais equilibrados.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
Gustavo Moreira Tavares
Tatiana Iwai
Jefferson de Oliveira Moura
The COVID-19 pandemic catalyzed a global shift towards working from home (WFH), potentially reshaping workplace norms and employee expectations. As organizations began scaling back previously available WFH arrangements in the post-pandemic period, questions emerged about how such changes in affect employee satisfaction. Drawing on psychological contract theory, this study examines how reductions in WFH availability influence employee job satisfaction and test psychological contract violation as the key causal mechanism underlying this relationship. Using two complementary studies, we provide evidence that scaling back WFH availability leads to declines in employee job satisfaction after the pandemic. The first study leverages longitudinal organizational data from U.S. federal agencies spanning 2016 to 2023 and a quasi-experimental research design to examine how sharper reductions in WFH availability affect employee job satisfaction. The second study uses a scenario-based experimental design to demonstrate that reductions in WFH availability increase perceptions of psychological contract violation, which in turn reduce job satisfaction. Together, these findings highlight that post-pandemic reductions in previously available flexibility are not merely logistical adjustments, but meaningful relational changes with important implications for employee attitudes.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
GELISMAR KELLY DA SILVA
Anderson de Souza Sant Anna
This study examines how structural design and cognitive mediation interact within performance management systems operating under conditions of high symbolic legitimacy. Drawing on a qualitative multiple-case study of four Brazilian organizations ranked among the Great Place to Work (2020–2024), the research adopts a constructivist–interpretivist perspective to analyze how evaluative practices are configured, enacted, and justified. Based on semi-structured interviews with Human Resources managers and abductive cross-case analysis, the findings reveal a patterned gap between formal sophistication and systemic integration. Although structured procedures are present, vulnerabilities emerge through verticalized goal-setting, episodic evaluation cycles, centralized interpretive authority, delayed reward contingency, and uneven institutionalization of bias-mitigation mechanisms. The study demonstrates that cognitive biases are not merely individual distortions but are architecturally conditioned by temporal design, authority distribution, and cross-stage misalignment. These structural–cognitive configurations stabilize what we conceptualize as institutionalized interpretive discretion, whereby subjective judgment becomes normalized within formally legitimate systems. By integrating behavioral decision research with institutional theory, the article reconceptualizes performance management as a morally situated sociotechnical infrastructure that distributes recognition, opportunity, and value. The findings challenge assumptions that external recognition equates to evaluative robustness and contribute to debates on organizational justice, legitimacy, and systemic coherence.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
Humberto Reis dos Santos-Souza
Pedro Jaime
This study challenges the prevailing view in the Woke Capitalism literature by investigating how Global South organizations legitimize racial diversity strategies amid extreme inequality and polarization. We analyze the public controversy surrounding Magazine Luiza’s Black-only trainee program in Brazil. Adopting the Pragmatic Sociology of Critique and the French School of Data Analysis, we map the moral topography of the dispute through a geometric analysis of 85 news reports. The data reveal that polarization is not structured by economic rationality. Instead, we identify an intra-civic rift: a hermeneutic battle between the formal equality of legal universalism (critics) and the substantive equity of historical reparation (defenders). We show that structural racism acts as a resistance metacontext, compelling the organization to construct a civic-industrial compromise. The study expands Economies of Worth theory by demonstrating that in post-colonial societies, legitimizing diversity requires subordinating market logic to political competence, where social justice must be translated as an efficiency imperative to survive public scrutiny.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
Eugênio Barbosa de Oliveira
Vicente de Nazareth Pinto Júnior
Lilian Bambirra de Assis
Lívia Maria de Pádua Ribeiro
Este artigo investiga de que modo o Big Data Analytics (BDA), ao ser incorporado ao processo decisório, atua como vetor de transformação da cultura organizacional. A pesquisa baseia-se em uma revisão sistemática da literatura, conduzida conforme os protocolos PRISMA. A etapa de busca foi realizada nas bases de dados internacionais Scopus e Web of Science, resultando na seleção de 15 estudos publicados entre 2015 e 2025. A análise dos dados foi apoiada pelo software VOSviewer, especializado na visualização de redes bibliométricas. Os resultados evidenciam que o BDA transforma a cultura organizacional ao introduzir uma lógica decisória orientada por dados. Foram identificados cinco eixos centrais de impacto cultural: liderança transformadora, superação de barreiras, mentalidade orientada a dados, mediação cultural das capacidades e reconfiguração de valores e normas. Conclui-se que a transformação impulsionada pelo BDA é tanto técnica quanto simbólica, exigindo mudanças culturais profundas.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
Cátia Camila da Silva
Marcelo Trevisan
Vania de Fátima Barros Estivalete
Frente à estabelecida relevância de pesquisas relacionadas aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, este estudo teve como principal objetivo Desenvolver e validar a Escala de Percepção da Síndrome de Boreout (EPSB). A construção da EPSB seguiu um processo metodológico estruturado, fundamentado na literatura científica e em métodos psicométricos. Inicialmente, foi realizada uma revisão da literatura, identificando as principais dimensões da Síndrome de Boreout e realizada a elaboração dos itens componentes da escala. Em seguida, foi conduzido um grupo focal com trabalhadores brasileiros, permitindo ajustes na escala para garantir maior aderência ao contexto organizacional. Após essa fase, a escala foi submetida à avaliação de especialistas, pré-teste, revisão ortográfica e, posteriormente, à Análise Fatorial Exploratória (AFE) e Análise Fatorial Confirmatória (AFC), utilizando Modelagem de Equações Estruturais (MEE) no software AMOS 22.0. Os resultados indicaram boas métricas de confiabilidade e validade, consolidando a EPSB como um instrumento robusto para a mensuração do fenômeno.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
Eliane Almeida Winck
Anielson Barbosa da Silva
A crescente incidência de transtornos mentais no contexto laboral tem ampliado o interesse por fatores psicossociais relacionados à promoção da saúde mental e do bem-estar. Este estudo analisou a relação entre competências socioemocionais, indicadores de saúde mental e bem-estar psicológico em servidores de uma instituição pública federal de ensino. Trata-se de pesquisa quantitativa, transversal, com 314 participantes (técnicos administrativos e docentes). Utilizaram-se questionário sociodemográfico, a Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21), a Escala de Competências Socioemocionais e a Escala de Bem-Estar Psicológico (EBEP-36). Os dados foram examinados por Análise Fatorial Confirmatória e Modelagem de Equações Estruturais. Os resultados indicaram que as competências socioemocionais apresentaram efeitos negativos significativos sobre depressão (β = −0,261; p < 0,001) e estresse (β = −0,256; p < 0,001), além de efeito positivo sobre o bem-estar psicológico (β = 0,546; p < 0,001). O modelo explicou 6,6% da variância do estresse, 6,8% da depressão e 29,9% do bem-estar psicológico, não havendo relação significativa com ansiedade. Conclui-se que as competências socioemocionais constituem recurso psicossocial relevante para a redução de sintomas negativos e a promoção do bem-estar psicológico no serviço público educacional.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
Gabriella Carvalho Pinto
MARCIA MITIE DURANTE MAEMURA
O presente estudo analisou o nível de florescimento entre estudantes dos cursos de Administração e Gestão da Informação da Faculdade de Gestão e Negócios da Universidade Federal de Uberlândia (FAGEN/UFU), utilizando abordagem quantitativa descritiva e a Escala de Florescimento no Trabalho (EFLOT). Foram avaliadas as influências de fatores sociodemográficos no florescimento percebido, como curso, gênero, faixa etária, renda familiar e ano de ingresso. Os resultados evidenciaram médias elevadas de florescimento para o curso de Administração em relação à Gestão da Informação, com destaque para estudantes do sexo feminino e para aqueles em faixas etárias e de renda mais altas. Alunos que ingressaram em 2021 apresentaram os maiores escores, enquanto turmas impactadas por eventos externos mostraram florescimento reduzido. As dimensões avaliadas – otimismo, competência, propósito, satisfação com a vida e significado – apresentaram scores acima do ponto neutro, revelando alto engajamento e bem-estar entre os participantes. Nas implicações gerenciais, sugere-se às coordenações dos cursos que promovam ações direcionadas ao fortalecimento das dimensões menos desenvolvidas do florescimento, especialmente junto aos públicos mais vulneráveis, favorecendo ambientes acadêmicos saudáveis, engajados e inclusivos. Palavras-chaves: Florescimento no trabalho; Bem-Estar; Engajamento; Satisfação
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
Herlisson Roberto Marques Ferreira
Angela Christina Lucas
A discussão sobre ambientes de trabalho tóxicos tem ganhado destaque nas mídias e em instituições preocupadas com seus impactos na saúde mental dos trabalhadores. Apesar da relevância do tema, a literatura científica apresenta definições fragmentadas e carece de consenso sobre as dimensões que caracterizam esses contextos. Este artigo busca identificar definições e critérios que configuram um ambiente corporativo brasileiro como “tóxico”, propondo um modelo teórico-explicativo. Com base na literatura, foi elaborado um questionário com 53 assertivas distribuídas em 19 dimensões, posteriormente validado por especialistas. A pesquisa contou com a participação de 198 trabalhadores brasileiros, e os dados foram analisados por meio de Análise Fatorial Exploratória. Após a exclusão de 22 assertivas, permaneceram 31, resultando na identificação de quatro fatores: Ambiente Demandante e Desassistido, Maestria Negligenciada, Negligência Coletiva e Depreciação Pública. O estudo contribui para empresas, ao oferecer instrumento para diagnóstico e planos de melhoria; para trabalhadores, ao apoiar a identificação de contextos prejudiciais; teóricas, com a discussão sobre os efeitos de ambientes hostis e a utilização do questionário validado em outras pesquisas científicas; e para a metodologia, ao detalhar a construção e validação de instrumentos de pesquisa.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
Júnia Queli Martins Lopes
Marina de Almeida Cruz
Michelle Regina Santana Dutra
Matusalém de Brito Duarte
Esta pesquisa buscou compreender como a comunicação é gerida nas equipes gerenciais escolares, identificando práticas, ferramentas e desafios que influenciam o desempenho das equipes. Adotou-se a abordagem qualitativa e estudo de caso único como método. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com quinze gestores, entre diretores escolares e servidores da Superintendência Regional de Ensino de Sete Lagoas. Os dados foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo. Os resultados indicam que as equipes possuem estruturas organizacionais definidas, com divisão de responsabilidades e uso intensivo de ferramentas digitais, como WhatsApp e e-mail. Entretanto, a sobrecarga de informação, falhas na clareza das mensagens e uso excessivo de canais informais comprometem a qualidade da comunicação e o alinhamento organizacional. A ausência de protocolos claros, dificuldades interpessoais e impactos do teletrabalho, como demora nas respostas e aumento do desgaste emocional, também foram apontados como barreiras. O estudo aprofunda o entendimento sobre a dinâmica da comunicação em equipes gerenciais escolares e propõe o modelo: “Dinâmica da Comunicação no Trabalho Integrado de Equipes Gerenciais Escolares”, que enfatiza a interdependência, o equilíbrio entre comunicação digital e presencial, e a implementação de protocolos claros, propondo diretrizes para aprimorar a gestão da comunicação e o bem-estar dos gestores.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Comportamento Organizacional: Tópicos tradicionais e emergentes
daniel saldanha guedes
Este ensaio teórico propõe uma leitura interpretativista do franchising, articulando os fundamentos do sensemaking organizacional à dinâmica simbólica entre franqueadora e franqueados. A literatura tradicional sobre franquias tem privilegiado abordagens contratuais e econômicas, negligenciando os processos de construção de sentido que sustentam o engajamento e a identidade coletiva nas redes. A partir de uma revisão crítica da literatura sobre sensemaking (Weick, 1995; Maitlis & Christianson, 2014) e franchising (Nijmeijer et al., 2014; Guedes & Trigo, 2009), o artigo propõe uma tipologia original que combina a capacidade de sensegiving da franqueadora com o grau de sensemaking dos franqueados, delineando quatro arquétipos interpretativos: Rede Dialógica, Rede Doutrinária, Rede Fragmentada e Rede Ocasional. Complementarmente, aplica-se ao contexto do franchising o ciclo narrativo de Gioia e Chittipeddi (1991), composto por quatro fases: envisioning, signaling, revisioning e energizing. A análise permite compreender como o sentido é produzido, negociado e institucionalizado em redes híbridas e descentralizadas. Como contribuição, o ensaio propõe uma agenda de pesquisa voltada à governança simbólica, defendendo que a construção de sentido é um ativo estratégico para redes de franquia que desejam crescer sem fragmentar sua identidade, além de articular dois constructos que, apesar de sinérgicos, receberam pouca atenção da comunidade cientifica.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Liderança: Teoria, Prática e Desenvolvimento
Roseane Netto Vinte
Antonio Carvalho Neto
DANIELA MARTINS DINIZ
Na literatura sobre liderança, observa-se a escassez de estudos que investiguem, de forma específica, a liderança relacional no contexto escolar. Tomando como ponto de partida tal lacuna, o estudo realizado buscou mensurar e analisar a percepção dos professores da educação básica acerca da presença e manifestação de características da liderança relacional no exercício da liderança no ambiente escolar em que estão inseridos. Para esse fim, realizou-se uma pesquisa quantitativa, por meio da aplicação de questionário a 187 docentes da educação básica da rede privada de Minas Gerais. Os resultados do estudo evidenciam que a liderança relacional é amplamente reconhecida pelos professores como um referencial relevante para a compreensão da liderança escolar. De modo geral, observa-se forte valorização de práticas associadas à colaboração, à escuta e à confiança, indicando que tais elementos são percebidos como fundamentos centrais das interações, dos processos decisórios e da dinâmica organizacional nas escolas. Ao mesmo tempo, a presença de dispersão moderada nos indicadores relacionais revela que, embora exista convergência quanto ao valor dessas práticas, sua materialização no cotidiano escolar não ocorre de forma homogênea, sugerindo desafios práticos relacionados à sua implementação.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Liderança: Teoria, Prática e Desenvolvimento
SAMUEL ALVES DE ALMEIDA OLIVEIRA
Juliana Estácio Rios
Valéria Fonseca Leite
Juliana Caminha Noronha
Este estudo investiga a relação entre traços de personalidade do modelo Big Five e estilos de liderança situacional no contexto organizacional. O objetivo geral é analisar como os traços se associam aos estilos medidos pela Escala de Avaliação do Estilo Gerencial em gestores de uma organização brasileira, a fim de gerar evidências úteis para seleção e desenvolvimento de lideranças; especificamente, buscou-se identificar os traços predominantes, caracterizar os estilos situacionais, examinar correlações entre os eixos Tarefa e Relacionamento e os cinco traços, e discutir implicações práticas. Adotou-se um delineamento quantitativo, descritivo e correlacional, com 11 gestores, coleta on-line e aplicação do BFI-BR e da EAEG; as análises foram conduzidas no jamovi por meio de matriz de correlações de Pearson. Os resultados indicaram predominância do estilo persuasivo na amostra, classificação geral de líderes como flexíveis e destaque do traço de Amabilidade como mais recorrente. Observou-se convergência entre o eixo Relacionamento e características socioemocionais do perfil, com indícios exploratórios coerentes nas demais combinações. Conclui-se que há alinhamento entre perfil disposicional e atuação relacional, com possibilidade de alternância entre estilos persuasivo e participativo; recomenda-se ampliar a amostra para robustez e aprofundar aplicações em gestão de pessoas.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Liderança: Teoria, Prática e Desenvolvimento
Anderson de Souza Sant Anna
Fátima Bayma de Oliveira
DANIELA MARTINS DINIZ
This article examines how leadership operates under regimes of algorithmic governance in which authority is displaced from command to infrastructures of evaluation and anticipation. Contemporary organizations often remain operationally effective while everyday action becomes increasingly exposed, continuously assessed, and anticipatorily accountable. Against leader-centric models that equate leadership with influence, competence, or interpersonal direction, the article reconceptualizes leadership as an organizational condition that sustains action when authority is diffuse and largely invisible. Drawing on Foucauldian analyses of governmentality, algorithmic governance is theorized as a historically specific configuration of power that governs conduct through metrics, comparison, and self-regulation rather than explicit directives. To explain how action remains viable under such conditions, the article introduces the concept of holding, derived from Winnicott and reinterpreted at the organizational level. Holding designates the symbolic and relational conditions that allow action to proceed without continuous justification, defensive performativity, or self-surveillance. The analysis shows that leadership does not disappear under algorithmic governance but becomes increasingly dependent on holding, whose erosion produces escalation, communicative overload, and the loss of organizational silence. By diagnosing leadership failure as structural rather than individual, the article contributes to leadership studies by shifting analytical attention from leaders to conditions that make action sustainable.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Liderança: Teoria, Prática e Desenvolvimento
Cinara Beatriz Tizziani Buzzi
Luiza Thayná de Oliveira
Adriana Kroenke
Cynthia Morgana Boos de Quadros
Este estudo tem como objetivo analisar o impacto da liderança inclusiva no comprometimento organizacional, em específico avaliar se o estilo de liderança inclusiva gera maior comprometimento no local de trabalho, considerando o modelo tridimensional de comprometimento de Meyer e Allen (1991). Para isso, realizamos um survey com 433 respondentes que possuem relação liderado e líder atuantes no mercado de trabalho. Para análise de dados foi utilizado o método de análise decisória multicritério Technique for Order Performance by Similarity to Ideal Solution (TOPSIS) e regressão linear. Os resultados mostraram uma relação significativa e positiva entre a liderança inclusiva e o compromentimento organizacional e resultado significativo e positivo entre liderança inclusiva e as três dimensões do comprometimento. Conclui-se que o comprometimento afetivo apresentou maior relação seguido por comprometimento normativo e o de continuação. Este artigo contribui para o mercado organizacional através da compreensão do impacto positivo que a liderança inclusiva gera no comprometimento organizacional, evidenciando práticas de liderança que auxiliam na redução da rotatividade e no aumento do engajamento, além de abrir novas perspectivas para pesquisas futuras.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Liderança: Teoria, Prática e Desenvolvimento
Rafaella Nery Nobrega
Lucia Barbosa de Oliveira
Este estudo examina o papel de programas organizacionais de desenvolvimento de lideranças voltados exclusivamente para mulheres na construção de trajetórias profissionais e identidades de liderança. A investigação baseia-se em um estudo de caso único, de natureza qualitativa, conduzido em uma empresa multinacional do setor industrial, caracterizada por um ambiente predominantemente masculino. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas com 15 participantes e da análise de documentos institucionais. Os resultados indicam que a iniciativa foi amplamente valorizada, especialmente no que se refere ao fortalecimento do autoconhecimento, ao aumento da autoconfiança e à construção de uma rede de apoio entre mulheres da organização. Esses elementos foram percebidos pelas participantes como fundamentais para ampliar sua visibilidade e protagonismo profissional. A progressão na carreira mostrou-se condicionada a variáveis contextuais, como o apoio da liderança direta e dinâmicas organizacionais mais amplas, embora o programa tenha demonstrado potencial para atuar como catalisador de mudanças individuais e coletivas. Em termos teóricos, o estudo contribui ao evidenciar que o desenvolvimento da liderança feminina transcende a capacitação técnica, envolvendo processos contínuos de construção identitária e relacional. Os achados reforçam a necessidade de iniciativas organizacionais articuladas à transformação cultural e ao enfrentamento das desigualdades estruturais de gênero.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Liderança: Teoria, Prática e Desenvolvimento
Marilia Gabriele de Oliveira Nascimento Bastos
Anielson Barbosa da Silva
Este estudo analisa o papel do processo de liderança no engajamento de equipes, considerando as especificidades do setor público e o contexto de trabalho híbrido. Adotou-se abordagem qualitativa de natureza exploratória, fundamentada no paradigma interpretativo, com realização de entrevistas semiestruturadas junto a líderes e liderados de três setores administrativos de um campus do Instituto Federal da Bahia (IFBA). A análise compreensiva interpretativa evidenciou que o engajamento constitui fenômeno multidimensional e flutuante, sustentado pela articulação entre propósito institucional, qualidade das relações interpessoais, valorização da contribuição individual, clareza de papéis e condições estruturais. Os resultados indicam que a liderança exerce papel mediador ao traduzir a missão organizacional em significados compartilhados, fortalecer a coesão relacional e administrar as tensões impostas por burocracia e trabalho híbrido. O Programa de Gestão de Desempenho revelou efeitos ambivalentes, ampliando a clareza de metas, mas impondo desafios à coesão social. Conclui-se que o engajamento coletivo no serviço público emerge da mediação contínua entre exigências institucionais e construção de sentido compartilhado.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Liderança: Teoria, Prática e Desenvolvimento
Ana Carolina Honório Martins
Pamela Adelino Ramos
A crescente complexidade das relações de trabalho exige compreender o gerenciamento para além dos aspectos técnicos, incorporando dimensões emocionais e relacionais. Este estudo analisou como os estilos de gerenciamento se articulam com as competências socioemocionais dos trabalhadores. Trata-se de uma pesquisa quantitativa, descritiva, com 393 profissionais de diferentes setores do Brasil, majoritariamente em cargos de liderança. Os dados foram coletados por questionário baseado em French et al. (1993); Klijn et al. (2008) e na Escala de Competências Socioemocionais de Macêdo e Silva, (2020), sendo analisados por Análise Fatorial Exploratória (AFE) e Modelagem de Equações Estruturais (SEM). A AFE identificou seis fatores estáveis que integram comportamentos gerenciais, estilos decisórios e competências socioemocionais. A SEM confirmou associações significativas entre os construtos, indicando que não operam de forma isolada. Os resultados evidenciam maior destaque para fatores ligados à interação e à consciência social, bem como à regulação emocional e ao autocontrole na condução dos processos. Conclui-se que a eficácia gerencial depende da articulação entre interação, consciência social e regulação emocional, caracterizando o gerenciamento como relacional e adaptativo.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Liderança: Teoria, Prática e Desenvolvimento
Maxwell Monteiro Marques
Pamela Adelino Ramos
Este estudo avaliou, por meio da abordagem bayesiana, numa amostragem de 323 colaboradores brasileiros, a influência do gênero e da prática de liderança sobre as competências socioemocionais no contexto de trabalho, analisando, paralelamente, a consistência e a validade psicométrica dos instrumentos aplicados. A estratégia analítica englobou a aplicação de modelagem por equações estruturais, com estimação frequentista e bayesiana, e de modelagem multigrupo para avaliação da invariância de medida, além de testes de confiabilidade. Desenho de trabalho apresentou ajuste insatisfatório; CFI = 0,59; RMSEA = 0,10; e baixa validade convergente; AVE ≤ 0,35; sendo excluído das análises. As competências socioemocionais apresentaram excelente ajuste: CFI = 0,92; RMSEA = 0,08; elevada confiabilidade; CR entre 0,89 e 0,93; e invariância escalar por gênero e por liderança. Observou-se, no grupo feminino, médias latentes superiores em consciência emocional; Δ = 0,41; autocontrole emocional; Δ = 0,31; e criatividade Emocional; Δ = 0,25. Ao passo que colaboradores em posições de liderança demonstraram maior pontuação em consciência emocional; Δ = 0,24; regulação emocional; Δ = 0,30; e criatividade emocional; Δ = 0,28. Os resultados corroboram a robustez das competências socioemocionais como determinantes organizacionais, o que indica a relevância de práticas de desenvolvimento socioemocional em contexto de trabalho.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Liderança: Teoria, Prática e Desenvolvimento
Luciana Reika Takeshita Segato
Juliana Mansur
A aliança de homens apoiando mulheres líderes no ambiente de trabalho é essencial para alcançar a igualdade de gênero. No entanto, os valores e motivações dos homens a esse respeito variam substancialmente, afetando a percepção das mulheres líderes sobre os homens como aliados. Motivações para servir interesses pessoais ou do grupo (identificação com o masculino) são tipicamente percebidas como estratégicas, performativas ou mesmo desonestas. Ao contrário, homens com valores igualitários e que se distanciam do status quo são percebidos de forma mais autêntica, genuína e eficaz, podendo contribuir para a igualdade de gênero. A partir de entrevistas realizadas com mulheres líderes e homens indicados como aliados, investigamos os valores e motivações para aliança na perspectiva das líderes mulheres e dos próprios homens. Analisamos como os homens se percebem como aliados e as percepções das mulheres sobre a aliança masculina. Além disso, investigamos como os homens avaliam a natureza e a importância de uma aliança, já que expectativas de pares e da organização podem influenciar o comportamento masculino. O estudo destaca diferenças de perspectiva sobre a aliança, evidenciando que uma aliança eficaz potencializa a liderança da mulher, enquanto uma aliança ineficaz dificulta a implementação de iniciativas em busca de maior equidade.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Liderança: Teoria, Prática e Desenvolvimento
Paulo Roberto de Melo Freitas
Juliana Mansur
O presente estudo investiga como a liderança empoderadora influencia a coragem perofissional dos liderados e seus comportamentos de voz e de silêncio, considerando os efeitos do comportamento político da liderança. A pesquisa quantitativa, realizada por survey com 285 funcionários de empresas privadas dos setores de óleo e gás, petroquímica e energia nas regiões Sudeste e Nordeste do Brasil, revelou que a liderança empoderadora está positivamente associada ao comportamento de voz e à coragem profissional e negativamente associada ao comportamento de silêncio; além disso, a percepção dos liderados sobre o comportamento político da liderança exerce efeitos relevantes sobre a coragem e sobre a mediação desta entre liderança empoderadora e os comportamentos de voz e silêncio. Os achados reforçam a importância de líderes promoverem autonomia, confiança e responsabilidade para estimular a expressão dos liderados, ao mesmo tempo em que alertam para o papel ambivalente do comportamento político na eficácia dessas práticas.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Liderança: Teoria, Prática e Desenvolvimento
Juliana Mansur
Kelly Weires Rodrigues Soares Avelino
O desenvolvimento da identidade de liderança é frequentemente apresentado como um processo linear. O presente estudo propõe uma perspectiva alternativa, enfatizando sua natureza paradoxal, especialmente no caso de mulheres líderes. Com base no quadro claiming–granting (DeRue & Ashford, 2010), argumenta se que a identidade de liderança da mulher é marcada por tensões pré-existentes e persistentes entre reivindicar e conceder liderança e entre reivindicar e ser reconhecida como líder. Identificam se paradoxos centrais relativos a três mecanismos da liderança – ser e sentir, fazer, pensar – e que explicam flutuações na visibilidade identitária, interpretações justapostas com relação a ser mulher e ser líder e ambiguidades comportamentais. Nesse sentido, consideramos a lente paradoxal como recurso que permite a mulheres líderes navegar essas tensões e desenvolver a capacidade de integrar múltiplas facetas da liderança ao longo do tempo. O artigo discute implicações para programas de desenvolvimento, práticas organizacionais e pesquisas futuras, defendendo abordagens que combinem legitimação social, transparência institucional e capacitação individual para sustentar trajetórias identitárias não lineares e resilientes.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gerações, Carreiras e Longevidade no trabalho
Duane Jaqueline Zardo
Sayonara de Fatima Teston
Rógis Juarez Bernardy
Suzete Antonieta Lizote
Objetivo: apresentar um produto de intervenção voltado à promoção do pertencimento rural na infância como estratégia de fortalecimento da sucessão geracional. Contexto: a agricultura familiar enfrenta fragilidades sucessórias associadas ao êxodo juvenil e à desconexão valorativa com o meio rural. Diagnóstico: pesquisa qualitativa multicasos com famílias produtoras de leite e crianças de 5 a 7 anos identificou baixa vivência significativa no campo e desalinhamentos de valores entre gerações, afetando o desejo de continuidade. Limitações: resultados voltados ao Oeste Catarinense e à bovinocultura leiteira, com necessidade de testes em outros contextos. Implicações práticas: desenvolvimento do programa “Nossa Família Ama as Mimosas” (NFAM®), composto por materiais lúdicos e cartilha para uso familiar e escolar. Implicações sociais: fortalecimento de vínculos afetivos com o campo, estímulo à permanência juvenil e contribuição à sustentabilidade territorial. Implicações teóricas: integração entre Teoria dos Valores Humanos e Teoria Bioecológica do Desenvolvimento. Originalidade/valor: propõe tecnologia social inédita ao tratar a sucessão rural desde a primeira infância, articulando brincar, valores e pertencimento como base para a continuidade da agricultura familiar.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gerações, Carreiras e Longevidade no trabalho
Emanuelle Cristhyne Azevedo da Silva
Lívia Mariane Lima dos Santos
MAYARA ANDRESA PIRES DA SILVA
Diante do crescimento da população mundial e do aumento da expectativa de vida, especialmente entre as mulheres, a diversidade etária nas organizações tende a se ampliar. Contudo, a interseção entre gênero e idade tem produzido formas específicas de discriminação no contexto de trabalho, envolvendo também o lookism como critério de avaliação baseado na aparência. Assim, o objetivo deste estudo é analisar como o envelhecimento feminino e o lookism no contexto laboral têm sido abordados pela literatura científica publicada entre 2014 e 2025. Para isso, realizou-se uma revisão sistemática da literatura, de natureza qualitativa, a partir da base de dados Web of Science. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 23 estudos para análise. Os achados indicam que mulheres envelhecidas enfrentam múltiplas formas de discriminação decorrentes da interseção entre idade e gênero, manifestadas por estereótipos, invisibilidade, limitação das trajetórias profissionais e exclusão simbólica. A menopausa emerge como um elemento central, ainda pouco reconhecido institucionalmente, afetando o bem-estar e a permanência das mulheres no trabalho. Ademais, a centralidade da juventude nas organizações reforça práticas de lookism, associando competência e valor profissional a padrões estéticos juvenis, o que leva muitas mulheres a adotarem estratégias de mascaramento da idade.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gerações, Carreiras e Longevidade no trabalho
Adriana Maria Fernandino Camilo
Thiago Soares Nunes
Este artigo teve por objetivo analisar como o conceito de ageísmo é compreendido por profissionais de Recursos Humanos que atuam em Recrutamento e Seleção (R&S). Realizou-se uma pesquisa de natureza descritiva e abordagem qualitativa. A coleta de dados deu-se por meio de questionário online (282 respostas) e os dados coletados foram submetidos à técnica de análise de conteúdo e estatística descritiva. O estudo identificou um cenário complexo sobre o fenômeno ageísmo no contexto organizacional brasileiro. Paradoxo: enquanto 89% dos respondentes afirmam conhecer o conceito de ageísmo, sua compreensão tende a restringir-se a noções genéricas de preconceito e discriminação, deixando de lado manifestações sutis e sistêmicas, como estereótipos sobre produtividade e adaptabilidade. A análise revela que a definição predominante (79,7% das respostas) é a de “preconceito e discriminação”, com menções menos frequentes a estereótipos específicos relacionados a R&S (3,2%) e produtividade (3,6%). O estudo conclui que existe uma clara falta de consonância entre discurso e a prática, a compreensão superficial do fenômeno, que não apreende suas raízes culturais e organizacionais, é, em si, uma barreira fundamental para a implementação de políticas efetivas contra uma questão estrutural o ageísmo.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gerações, Carreiras e Longevidade no trabalho
César Henrique Souza Lima
Bianca de Jesus Rabelo
Este estudo analisa as percepções da Geração Z sobre a profissão de influenciador digital em termos de viabilidade, sustentabilidade e legitimidade como carreira profissional no contexto brasileiro. De natureza qualitativa, a pesquisa baseou-se em entrevistas semiestruturadas com doze jovens pertencentes à Geração Z, com idades entre 18 e 26 anos. Os resultados evidenciam que os entrevistados reconhecem o potencial econômico da carreira de influenciador digital, mas demonstram ceticismo quanto à sua sustentabilidade de longo prazo, associando-a a elevada instabilidade financeira e emocional. Identificou-se também que a legitimidade profissional ainda é questionada pelos próprios jovens, que percebem tensões entre autenticidade e comercialização. Os achados revelam, ainda, que o salário, a flexibilidade e o propósito são fatores centrais na avaliação desta carreira pela Geração Z. Este estudo contribui para a literatura ao articular dois temas emergentes e pouco explorados conjuntamente: carreira de influenciador digital e percepções da Geração Z, trazendo implicações relevantes para gestores de recursos humanos, educadores e formuladores de políticas voltadas ao trabalho digital.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gerações, Carreiras e Longevidade no trabalho
George Alalou
Almir Martins Vieira
Este artigo propõe como objetivo analisar os desafios pelos quais passaram diferentes profissionais que fizeram uma transição de carreira depois de uma demissão e um período de desemprego. Para alcançá-lo, foi realizada uma pesquisa qualitativa, cujos dados foram obtidos por meio de entrevistas em profundidade baseadas em roteiro semiestruturado, junto a seis profissionais que foram demitidos e, após um período de desemprego, fizeram uma transição de carreira. Os dados foram analisados segundo a proposta da Análise Temática. Os resultados obtidos possibilitaram gerar insigths significativos para questões provenientes da demissão e do desemprego, especialmente em relação à maneira pela qual os profissionais lidaram com as consequências do desemprego, além da identificação de estratégias adotadas para se realizar uma transição de carreira bem-sucedida. Dessa forma, foi possível analisar a trajetória desses profissionais que decidiram mudar de carreira após a demissão e um período de desemprego, demonstrando a importância desse percurso para indivíduos que aspiram realizar uma transição de carreira.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gerações, Carreiras e Longevidade no trabalho
Laís Duarte Amorim
Diego Costa Mendes
Um dos principais desafios enfrentados por trabalhadores 50+ no mercado de trabalho são as persistentes discriminações e estereotipização, que reforçam desigualdades e dificultam sua inserção ou permanência profissional. Diante disso, este estudo buscou analisar a percepção de pessoas com mais de 50 anos sobre trabalho, a diversidade etária e oportunidades no mercado. A pesquisa foi realizada entre agosto e outubro de 2025, com abordagem qualitativa e entrevistas semiestruturadas. Contou com 14 participantes, homens e mulheres, residentes em diferentes cidades brasileiras (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo). O grupo apresentou diferentes graus de escolaridade, desde ensino fundamental incompleto a cursos superiores. A análise dos dados seguiu a técnica de análise de conteúdo para interpretação, apoiada nas referências teóricas sobre fatores biopsicossociais, etarismo, marcadores sociais e relações intergeracionais. Os resultados revelaram a falta de políticas públicas e organizacionais eficazes para a inclusão e valorização desses profissionais. Com isso, a pesquisa concluiu que mesmo com o aumento da longevidade, o etarismo ainda é um obstáculo estrutural que precisa de ações mais concretas de gestão da idade e inclusão para ser combatido. Palavras-chave: Etarismo; Envelhecimento populacional; Mercado de trabalho; Profissionais 50+.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gerações, Carreiras e Longevidade no trabalho
Camila Lemos Nicodemo
Ianaira Barretto Souza Neves
No mercado de trabalho jurídico, as desigualdades de gênero se expressam no acesso a posições de poder e, de forma igualmente relevante, nos modos pelos quais as carreiras são construídas e a liderança feminina é legitimada. Este working paper examina quais benefícios são percebidos por mentorandas em um programa de mentoria de mulheres para mulheres implementado em uma escola de direito privada localizada na cidade de São Paulo. O programa foi concebido como uma iniciativa institucional de apoio à trajetória profissional feminina e se inspirou em contribuições da literatura do campo de estudos de carreira, no contexto acadêmico-jurídico. O estudo de caso tem natureza qualitativa e descritiva e baseia-se na experiência acumulada do programa entre 2020 e 2025. Foram analisados documentos internos, registros de acompanhamento e percepções sistematizadas das participantes, permitindo compreender tanto a dinâmica do programa quanto seus efeitos percebidos. Os resultados indicam que o programa institucional de mentoria para mulheres contribui para ampliar redes de apoio entre mulheres, fortalecer a autoconfiança e favorecer processos reflexivos sobre escolhas profissionais e exercício da liderança em um ambiente marcado por desigualdades de gênero. A experiência sugere que programas institucionais de mentoria podem constituir instrumentos potentes para gestão de pessoas e carreiras.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gerações, Carreiras e Longevidade no trabalho
Lourival Ribeiro Chaves Júnior
MARCIO PASCOAL CASSANDRE
Gig work has grown substantially worldwide. Although the number of studies on this topic has increased, scholars have paid limited attention to an important segment of this workforce: older drivers. In this article, we investigate the experiences of older drivers engaged in gig work. We conducted interviews with 20 older drivers working for digital platforms such as Uber and 99. The content analysis revealed that older drivers encounter experiences that they enjoy (e.g., autonomy and interacting with passengers) alongside experiences that they dislike (e.g., platform requirements and risks). These findings contribute to gig work studies by revealing the experiences of older individuals in this emerging market.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gerações, Carreiras e Longevidade no trabalho
JOANA DAMASCENO PINTO LIMA
thais zimovski garcia de oliveira
O envelhecimento populacional constitui um dos principais desafios contemporâneos, com impactos sociais e econômicos relevantes. No Brasil, pessoas com mais de 60 anos representam 15,8% da população, cenário que exige políticas públicas voltadas à autonomia, inclusão produtiva e envelhecimento ativo. Nesse contexto, o empreendedorismo emerge como alternativa para geração de renda, superação do ageísmo e fortalecimento da dignidade na terceira idade. Este estudo analisou os fatores que influenciam a atuação empreendedora de idosas vinculadas à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Luís - APAE. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, exploratória, utilizando o método história de vida com três participantes integrantes dos projetos institucionais de capacitação da APAE. A análise de conteúdo, com triangulação teórica baseada nas características atitudinais empreendedoras, revelou que a motivação para empreender está associada principalmente à necessidade financeira, maternidade solo, busca por autonomia. Identificaram-se traços como persistência, inovação, capacidade de planejamento, sociabilidade e aprendizado contínuo. Conclui-se que o empreendedorismo, para essas idosas, configura-se como estratégia de resiliência, inclusão social e promoção do envelhecimento ativo.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gerações, Carreiras e Longevidade no trabalho
Emerson Weslei Dias
Darcy Mitiko Mori Hanashiro
This study examines evidence of validity and reliability of the Career Adaptability, Self-Perceived Employability, Volition at Work, and Work Centrality scales among older Brazilian workers. A two-phase confirmatory design was adopted. In Phase 1, confirmatory factor analyses (CFA) were conducted using a pilot sample. In Phase 2, the factorial structures, reliability, and convergent and discriminant validity were tested in a larger independent sample (N = 422) composed of workers aged 40 and over. The results largely supported the theoretical structures of the four scales. Psychometric refinements were required for work centrality, resulting in a parsimonious three-item unidimensional model with satisfactory reliability and convergent validity. Overall, the instruments demonstrated adequate internal consistency and discriminant validity. These findings address an important measurement gap in aging-at-work research by providing validated instruments suited to the Brazilian context. Although the study relied on self-reported data and a non-probabilistic sample, limiting generalizability, it contributes robust measurement tools for examining psychosocial resources associated with extended working lives and sustainable career trajectories in later stages of the working life course.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Decolonizar a Diversidade: políticas, práticas e insurgências na Gestão de Pessoas e relações de trabalho do Sul Global
Henrique Luiz Caproni Neto
Carolina Maria Mota Santos
Este artigo apresenta uma revisão qualitativa da literatura sobre pessoas trans e não binárias no campo da Administração, com foco em Gestão de Pessoas e Estudos Organizacionais. Com base em artigos indexados na Web of Science, analisa-se como a produção científica tem tratado experiências de trabalho, discriminação e práticas organizacionais. Os achados são organizados em cinco eixos analíticos, evidenciando que, apesar de avanços recentes, a literatura permanece ancorada em pressupostos cisnormativos e binários. Conclui-se que tais limites restringem a compreensão das experiências trans e não binárias no trabalho, apontando a necessidade de abordagens críticas e epistemologicamente reflexivas na pesquisa em Administração.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Decolonizar a Diversidade: políticas, práticas e insurgências na Gestão de Pessoas e relações de trabalho do Sul Global
Helio Arthur Reis Irigaray
ENZO GISSONI OLIVEIRA
Este artigo analisa estratégias de sobrevivência mobilizadas por trabalhadores com TDAH em ambientes corporativos orientados por expectativas neuronormativas. Com base na distinção entre neurodiversidade e neurodivergência, adota uma perspectiva crítica para examinar como estigma, normalização e regimes de reconhecimento organizacional moldam a experiência laboral de pessoas neurodivergentes. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva, de inspiração fenomenológica, baseada em 13 entrevistas semiestruturadas com adultos autodeclarados TDAH, realizadas entre março de 2025 e janeiro de 2026. Os dados foram examinados por análise do discurso, em diálogo com a tradição francesa e com leituras foucaultianas e bakhtinianas. Os resultados indicam a presença de um repertório lexical estigmatizante que moraliza diferenças neurocognitivas e produz identidades laborais depreciadas, por meio de rótulos como “desatento”, “desleixado”, “imaturo”, “arrogante” e “problemático”. Esse repertório sustenta a neuronormatividade e favorece estratégias como masking, hipercompensação, autovigilância, não revelação do diagnóstico e hiperentrega. O estudo mostra ainda que a revelação do diagnóstico pode tanto facilitar acomodações quanto intensificar discriminação e sobrecarga. Conclui-se que tais estratégias não devem ser romantizadas, pois envolvem altos custos subjetivos e reforçam formas instrumentais de inclusão e desigualdade de reconhecimento.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Decolonizar a Diversidade: políticas, práticas e insurgências na Gestão de Pessoas e relações de trabalho do Sul Global
TAIS PASQUOTTO ANDREOLI
Geovana da Silva Rodrigues
Angela Christina Lucas
O trabalho teve como objetivo analisar e comparar a perspectiva dos funcionários quanto à identificação da prática de diversity washing nas organizações. Foi realizado um levantamento quantitativo (survey) junto a 683 funcionários (respondentes com algum vínculo empregatício). Na análise de dados, foram empregadas diferentes técnicas estatísticas, como a estatística descritiva, a análise fatorial exploratória e a técnica paramétrica Anova para investigação de eventuais diferenças segundo as variáveis do perfil dos respondentes (expressão de gênero, raça e idade). Isso foi complementado pela análise de conteúdo, utilizada nos relatos expressos das experiências negativas vivenciadas pelos funcionários. Com isso, observou-se, primeiro, uma falta de posicionamento claro dos respondentes quanto a identificação do diversity washing na empresa em que trabalham atualmente. Apesar disso, foram verificadas diferenças derivadas do perfil dos respondentes, com atribuições mais incisivas provenientes de funcionários representantes de grupos marginalizados, em termos de gênero, raça e idade, validando as três hipóteses do estudo. Além disso, quase metade dos respondentes declarou ter vivenciado experiências negativas com a prática de diversity washing, que ficaram mais evidentes nos relatos compartilhados. Posiciona-se o estudo como um esforço inédito de investigação empírica da prática de diversity washing direcionada ao ambiente interno, considerando a perspectiva dos funcionários.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Decolonizar a Diversidade: políticas, práticas e insurgências na Gestão de Pessoas e relações de trabalho do Sul Global
Nivea Rocha Fernandes
LUANA VIRGINIA VIEIRA DE SOUSA
O Estudo pretende analisar como o epistemicídio histórico de culturas africanas e afro-brasileiras influenciam a negação da negritude e causam violências simbólicas em uma escola pública de Belo Horizonte utilizando teoricamente o Poder Simbólico de Bourdieu. Trata-se de uma pesquisa social, descritiva com abordagem qualitativa. Os sujeitos são 22 estudantes pretos, maiores, matriculados e frequentes em uma escola pública Estadual de um bairro da periferia de Belo Horizonte. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevista semiestruturada. Os dados foram analisados através da técnica análise de Narrativa. O epistemicídio da história e cultura africanas e afro-brasileiras deixa sequelas profundas nas subjetividades e nas percepções identitárias nos estudantes. O poder simbólico opera nas estruturas sociais, de modo que o sistema educacional reproduz uma lógica hegemônica que define continuamente o que é valorizado e o que é estigmatizado. Esta pesquisa contribui para os estudos em Administração, especialmente em Estratégia e Organização, ao evidenciar as relações de poder no contexto educacional. Socialmente, revela-se que o apagamento sistemático das histórias e culturas africanas e afro-brasileiras no Brasil favorece a negação da negritude.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Decolonizar a Diversidade: políticas, práticas e insurgências na Gestão de Pessoas e relações de trabalho do Sul Global
Elisângela de Farias
O presente artigo empreende uma análise teórica crítica sobre a trajetória do pensamento feminista contemporâneo, partindo da desestabilização do sujeito universal “mulher” promovida pelo pós-estruturalismo, passando pela formulação da interseccionalidade como ferramenta analítica para as múltiplas opressões, e culminando na emergência do feminismo decolonial como uma proposta estrutural de transformação. O objetivo central é investigar como a crítica decolonial, notadamente a partir do conceito de “colonialidade do gênero” de María Lugones, expõe os limites da interseccionalidade quando esta não considera a “diferença colonial” como um eixo estruturante das hierarquias de poder. Através de uma revisão bibliográfica que articula as contribuições de Judith Butler, Kimberlé Crenshaw e María Lugones, argumenta-se que uma práxis feminista transformadora para o Sul Global demanda uma articulação crítica entre a análise interseccional e o horizonte de descolonização do poder, do saber e do ser. O trabalho conclui apontando para a necessidade de ir além da interseccionalidade decolonial, explorando epistemologias e práticas políticas que emergem das resistências de mulheres racializadas e colonizadas.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Decolonizar a Diversidade: políticas, práticas e insurgências na Gestão de Pessoas e relações de trabalho do Sul Global
Thiago Arruda Coura
Jefferson Rodrigues Pereira
Elisângela Prado Furtado
Luiza Farnese Lana Sarayed-Din
Este estudo analisou como as racionalidades eugênica e necropolítica estruturam políticas educacionais brasileiras, atravessando trajetórias escolares de pessoas negras e tornando o embranquecimento uma estratégia de aceitação social. A pesquisa, de abordagem qualitativa, utilizou referenciais teóricos como Foucault, Stepan, Mbembe e Almeida para examinar classificações, hierarquizações e distribuições desiguais de cuidado no ambiente escolar. Os principais achados revelam que a eugenia persiste não como discurso biológico explícito, mas por meio de critérios aparentemente neutros de avaliação e comportamento. A necropolítica se manifesta na gestão diferencial da vulnerabilidade em escolas periféricas, produzindo zonas de abandono institucional que geram morte social. O embranquecimento emerge como resposta ambivalente: recurso de sobrevivência que, paradoxalmente, reafirma padrões brancos como medida de aceitabilidade. O estudo contribui para a gestão pública e a gestão de pessoas ao demonstrar que a neutralidade técnica das práticas organizacionais é uma ficção que encobre processos racializados. Propõe uma estrutura analítica articulando eugenia, necropolítica e embranquecimento, evidenciando que enfrentar desigualdades educacionais exige desnaturalizar tecnologias organizacionais que definem quais vidas importam.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Decolonizar a Diversidade: políticas, práticas e insurgências na Gestão de Pessoas e relações de trabalho do Sul Global
Elenice Cristina Martins
Jefferson Rodrigues Pereira
Heliani Berlato
Elisângela Prado Furtado
Josiano Miranda Souza
Este estudo tem como objetivo analisar de que maneira o racismo, enquanto herança colonial, influencia a saúde mental de docentes negros da rede estadual de ensino de Minas Gerais. Como pressupostos teóricos, valeu-se de autores que trouxeram o fenômeno do sofrimento psíquico relacionado aos processos históricos coloniais, à psicologia do trabalho e à psicologia da libertação. Metodologicamente, desenvolveu-se um estudo descritivo de abordagem qualitativa, utilizando como método técnica projetiva da Zaltman Metaphor Elicitation Technique (ZMET), conforme propostos por Zaltman e Coulter (1995), com o objetivo de trazer à tona metáforas e significados subjetivos para além do que foi verbalizado. Os principais resultados apontaram que a saúde mental do docente negro é marcada por múltiplas camadas de sofrimento psíquico, associadas às condições estruturais de trabalho, às exigências institucionais, ao racismo estrutural e à ausência de políticas públicas efetivamente implementadas. As narrativas, metáforas, imagens e experiências sensoriais evocadas e apresentadas pelos participantes revelam um cenário marcado pela sobrecarga, hipervigilância, silenciamento, solidão institucional e desgaste emocional crônico, compondo um quadro que confirma os achados da literatura sobre o sofrimento psíquico e o racismo institucional internalizado.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Decolonizar a Diversidade: políticas, práticas e insurgências na Gestão de Pessoas e relações de trabalho do Sul Global
Jair Nascimento Santos
José Santos de Jesus
Este trabalho tem como objetivo apresentar evidências sobre a influência do racismo organizacional na ocupação de cargos de comando dentro da Secretaria Municipal da Educação (SMED) / Salvador-Ba. Apresentamos ao longo dos estudos bibliográficos, documentos, dados oficiais que mostram a dinâmica da desigualdade racial existente nas organizações e especificamente dentro da SMED. O racismo foi profundamente moldado em nossa sociedade pelo colonialismo, e continua influenciando organizações na ocupação dos cargos de comando com naturalização e com um absoluto silêncio da sociedade. Conclui-se que é imprescindível que a secretaria de educação assegure ocupação das posições de liderança para todos, sem distinção de raça ou gênero, de maneira justa e em conformidade com as legislações. Isso abrange ações afirmativas de incentivo às cotas raciais na ocupação dos cargos de mando, provimento, orientação e capacitação que fomentem a equidade racial e progresso profissional, tão vitais para transformar a mentalidade e cultura racista da SMED em uma postura e cultura verdadeiramente antirracista.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Decolonizar a Diversidade: políticas, práticas e insurgências na Gestão de Pessoas e relações de trabalho do Sul Global
Débora Cunha Romanov
Darcy Mitiko Mori Hanashiro
Iniciativas de neurodiversidade ainda enfrentam desafios para serem incorporadas de forma estruturada às diretrizes de governança corporativa (GC), especialmente no âmbito da agenda ESG. O presente estudo tem como objetivo analisar, por meio da análise temática, como são estruturados programas de neurodiversidade voltados a profissionais com TEA em organizações brasileiras, a partir da perspectiva de profissionais de Recursos Humanos (RH) e saúde no trabalho, interpretando-os como potenciais instrumentos de GC para a sustentabilidade no contexto ESG. Trata-se de pesquisa qualitativa interpretativa básica, baseada em entrevistas em profundidade com seis profissionais das áreas de RH e saúde no trabalho de três organizações brasileiras de diferentes setores. Os resultados indicam que as iniciativas de neurodiversidade estão sujeitas a pressões internas, como atuação da AA, e externas, como práticas ESG, tendendo a se concentrar no cumprimento da Lei de Cotas, em ações pontuais e frequentemente dependentes do engajamento e conhecimento a respeito do TEA de profissionais de RH, o que reflete majoritariamente as perspectivas episódica e freestanding de Dass e Parker (1999). Esses achados revelam potenciais fragilidades na sistematização de programas de neurodiversidade como práticas efetivas de GC. Palavras-chave: Neurodiversidade; Governança Corporativa; ESG.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Decolonizar a Diversidade: políticas, práticas e insurgências na Gestão de Pessoas e relações de trabalho do Sul Global
Vitória Machado de Oliveira Campante
Débora Vargas Ferreira Costa
Victor Cláudio Paradela Ferreira
Ana Beatriz Cardoso Barbosa
Apesar do fim do colonialismo, padrões de poder continuam a produzir e atualizar processos racializadores que hierarquizam corpos, saberes e organizam a vida social, legitimando desigualdades nas relações sociais e institucionais. Sob esse regime, os ideais de autoridade, poder, inteligência e beleza são vinculados ao corpo branco, masculino e europeu, enquanto o corpo negro é visto como inferior e merecedor de suas mazelas. Diante desse contexto, este estudo visa compreender como as estruturas simbólicas e materiais incidem sobre o corpo negro sustentando sua persistente inscrição na zona de não ser. Para tanto, adotou-se uma abordagem qualitativa, ancorada em uma episteme decolonial, que privilegia a valorização das experiências e dos conhecimentos negros. Como lente metodológica utiliza-se a história de vida. O corpus de pesquisa foi composto por seis médicos autodeclarados pretos, o que possibilitou a análise de um grupo com intensa exposição às normas e padrões da branquitude. Os resultados apontam que a colonialidade afeta diretamente a construção identitária, as relações interpessoais e até mesmo a maneira como precisam se portar. Este estudo contribui para o campo, ao direcionar um olhar crítico para a reprodução de estruturas e costumes racistas perpetuados de forma objetiva e subjetiva pela sociedade.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Estudos Críticos em Gestão de Pessoas
Mauricio de Mello Gonçalves
Cristiane Froehlich
dusan schreiber
Serje Schmidt
Este estudo analisa as contribuições da Inteligência Artificial e do Big Data para a Gestão Estratégica de Recursos Humanos, por meio de uma revisão narrativa da literatura, contemplando artigos publicados entre 2022 e 2025, indexados nas bases Scopus e Web of Science. A pesquisa adota uma abordagem exploratória e qualitativa, fundamentada na síntese crítica da literatura recente, a qual evidencia que o uso de algoritmos avançados possibilita a personalização de práticas de trabalho em larga escala e o aprimoramento dos processos decisórios. Os resultados indicam que, embora a IA e o Big Data proporcionem ganhos em eficiência, engajamento e capacidade analítica, sua implementação também envolve desafios éticos e organizacionais, especialmente no que se refere à transparência algorítmica e à gestão de vieses. O êxito dessa integração depende de uma orientação estratégica deliberada, na qual as práticas de Recursos Humanos atuam como mediadoras entre o potencial tecnológico e os resultados organizacionais.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Estudos Críticos em Gestão de Pessoas
Mauricio de Mello Gonçalves
Cristiane Froehlich
Cristine Hermann Nodari
Moema Pereira Nunes
Este artigo tem como objetivo sistematizar a literatura científica sobre o uso da inteligência artificial no recrutamento e seleção, destacando oportunidades associadas à eficiência operacional e desafios éticos nas práticas de gestão de recursos humanos. Trata-se de uma pesquisa baseada em uma revisão sistemática da literatura, conduzida na base de dados Scopus. Os resultados evidenciam uma dualidade na aplicação da IA ao R&S. De um lado, a tecnologia contribui para o aumento da eficiência operacional e a redução de custos, ao automatizar a triagem de grandes volumes de dados e acelerar o ciclo de contratação. De outro, a literatura aponta desafios, como a reprodução de vieses algorítmicos, que podem reforçar discriminações de gênero e raça e a baixa transparência dos sistemas decisórios. Portanto, a integração da IA ao R&S requer supervisão contínua e uma abordagem híbrida, na qual a tecnologia atue como suporte estratégico à tomada de decisão humana. O estudo destaca a necessidade de desenvolvimento de competências digitais, análise de dados e ética por parte dos profissionais de RH.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Estudos Críticos em Gestão de Pessoas
Cleverson Ramom Carvalho Silva
Gean Carlos Tomazzoni
Romeu Tamarozi Bernardes
LUIS ARTHUR PIRES LEITHOLD
O objetivo deste ensaio consiste em analisar criticamente como a emergência da Inteligência Artificial (IA) reconfigura o processo de trabalho criativo. O ponto de partida foi uma revisão de narrativa sobre os temas inteligência artificial e produção de conteúdo. O esforço investigativo resultou em quatro eixos analíticos: a) A emergência da inteligência artificial generativa e a reconfiguração do processo de trabalho criativo, b) As contradições da narrativa predominante da IA como um mero assistente, e c) Tecnologia, produtividade e precarização no trabalho criativo. Tais temas foram analisados à luz do materialismo histórico de inspiração marxista. Conclui-se que emergência da IA lança as bases necessárias para o avanço capitalista sobre aspectos do trabalho criativo antes inexplorados, alterando substancialmente as condições de trabalho e os papéis dos trabalhadores no processo produtivo.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Estudos Críticos em Gestão de Pessoas
Débora Vargas Ferreira Costa
Thiago Gomes de Almeida
Vitória Machado de Oliveira Campante
Ana Beatriz Teixeira Ronzani Romanelli
Ana Beatriz Cardoso Barbosa
Este ensaio teórico busca analisar os efeitos contemporâneos da difusão da inteligência artificial generativa (IA Gen) e seus reflexos no trabalho, na cognição humana e seus incrementos na precarização. Introduzir o conceito de pobreza cognitiva, e explicamos como esta, estimulada pelo uso crescente de IA Gen, pode promover nova inflexão no controle do trabalho. Por meio da análise dos fenômenos de descarregamento cognitivo (cognitive offloading) e da dependência tecnológica, discute-se o paradoxo da abundância tecnológica, no qual ambientes caracterizados por presença intensiva de tecnologia podem, paradoxalmente, ampliar o empobrecimento reflexivo e o declínio do pensamento crítico. A principal contribuição reside na proposição do modelo original "Looping da Pobreza Cognitiva na Abundância Tecnológica", que descreve como o trabalho morto, que esvazia o saber vivo e afeta a subjetividade do trabalhador, aprofunda os processos de alienação e precarização. O artigo conclui que a IA Gen pode atuar como uma forma sofisticada de aceleração do trabalho morto que, ao automatizar a subjetividade, exige que o debate acadêmico se desloque da eficiência produtiva para a urgência da soberania e autonomia intelectual humana.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Estudos Críticos em Gestão de Pessoas
Ana Fátima de Rezende Silva
Jefferson Rodrigues Pereira
kelly carvalho vieira
The study analyzes how students, families, and school staff construct discourses about hunger and food, considering the socially constructed narrative around public policies. Grounded in the theories of biopower and biopolitics, the research adopts a qualitative approach through a social case study. Semi-structured interview protocols were applied to state employees and members of the school community. The data were analyzed using Critical Discourse Analysis. The findings reveal a complex dynamic where schools are perceived by public servants as an extension of the state, while the community views schools as the state itself. This dual perception underscores the school’s role as a mediator between the state and the community. However, the community exhibits significant alienation regarding it’s role as citizens. This lack of participation impacts the program’s implementation and limits community oversight of the quality of school meals. This phenomenon highlights the dual abandonment experienced by students: from their families, who delegate their cognitive and psychosocial education to the state, and from the community, which fails to assert its role in the school environment. The study contributes to the field of Administration by framing schools as public organizations operating within a bureaucratic system where biopolitical practices shape behaviors and manage resources.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Estudos Críticos em Gestão de Pessoas
Renan Gomes de Moura
Este ensaio problematiza a centralidade atribuída à duração do trabalho de campo como critério de legitimidade da etnografia nos estudos em Gestão no Brasil. A partir de uma experiência situada no contexto da pós-graduação stricto sensu, analisa-se a recorrente desqualificação de pesquisas baseadas em imersões intensivas de curta e média duração, frequentemente classificadas como metodologicamente insuficientes frente ao ideal clássico de longa permanência em campo. Argumenta-se que tal valorização temporal opera como forma de fetichização metodológica, deslocando o rigor etnográfico da densidade analítica e da reflexividade para a mera extensão cronológica da pesquisa. Sustenta-se que essa lógica funciona como barreira simbólica, política e geracional, contribuindo para a reprodução de hierarquias epistêmicas e para a deslegitimação de práticas etnográficas situadas e contemporâneas no campo da Administração.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Estudos Críticos em Gestão de Pessoas
Joyce gonçalves altaf
Rejane Prevot Nascimento
Este artigo investiga as repercussões da não maternidade na ascensão profissional de mulheres, à luz da articulação entre patriarcado e capitalismo. Fundamentado na teoria feminista crítica, o estudo questiona se a ausência de filhos atua como alavanca de carreira ou reorganiza desigualdades. O referencial teórico discute a maternidade como destino ou escolha, a transição para a não maternidade e a maternidade tardia como caminhos possíveis, e a Divisão Sexual do Trabalho. A metodologia adotou Análise Temática Reflexiva de narrativas de 10 mulheres sem filhos por opção, com idades entre 40 e 60 anos, alto nível de escolaridade e atuação em cargos de gestão ou destaque profissional na região Sudeste do Brasil. Os resultados indicam que a não maternidade não imuniza contra as barreiras estruturais à ascensão feminina; embora reduza penalizações logísticas, ela intensifica a exploração do tempo, criando uma "disponibilidade patriarcal corporativa" baseada no "excesso" de tempo presumido. Conclui-se que a não maternidade é um posicionamento político que tensiona o mandato reprodutivo, mas a ascensão segue condicionada por um ideal masculinizado, onde a condição feminina permanece como obstáculo central.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Estudos Críticos em Gestão de Pessoas
Aline Wagner Meneghetti
Vitor Hugo Gomes Passos
Lisiane Caroline Rodrigues Hermes
Anderson Hoose
O trabalho desempenha papel central na construção da identidade, geração de valor e desenvolvimento individual e social, sendo sustentado por múltiplas atividades interdependentes que operam de forma sistêmica (Meenakshi; Rajak, 2022). Nesse contexto, os processos de aprendizagem manifestam-se tanto no nível individual quanto organizacional, configurando-se como elemento essencial ao desenvolvimento. A diversidade, compreendida em suas múltiplas dimensões, emerge como fator relevante ao potencializar interações, ampliar perspectivas e influenciar dinâmicas de aprendizagem. Diante disso, esta pesquisa teve como objetivo mapear e analisar as principais redes de produção científica que articulam diversidade e aprendizagem organizacional (AO), identificando a integração desses conceitos na literatura internacional, bem como temáticas emergentes, lacunas e tendências. Adotou-se o método bibliométrico, com organização e tabulação dos dados por meio do software Bibliometrix. Os resultados indicam que, embora AO, cultura e inovação sejam eixos consolidados, a diversidade ainda ocupa posição marginal, sendo associada predominantemente a aspectos culturais e de engajamento, e não como variável central. O estudo contribui ao promover diálogo sistemático entre campos com baixa integração conceitual, preenchendo lacuna teórica e apontando caminhos promissores para pesquisas futuras, ao evidenciar o potencial da articulação entre diversidade e AO para avanços teóricos e práticas organizacionais mais alinhadas às demandas contemporâneas.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Feminismo, Gênero, Justiça Social e suas interfaces com a gestão de pessoas e as relações de trabalho
LAISA SALVINO PEREIRA DE OLIVEIRA
MAYARA ANDRESA PIRES DA SILVA
As mulheres pesquisadoras são maioria nos programas de pós-graduação e crescem progressivamente em autorias de pesquisas publicadas em periódicos nacionais, mas esses fatores não são convertidos automaticamente em uma realidade equitativa, considerando as barreiras estruturais persistentes. Este estudo busca analisar os editais da FACEPE e do CNPq voltados ao fomento da equidade de gênero na pesquisa científica brasileira, no período de 2020 a 2025, a partir de uma análise comparativa quanto aos seus dispositivos, abrangência, limitações e potencialidades. Para tanto, adotou-se uma abordagem qualitativa básica, de natureza descritiva-analítica, com a coleta de dados realizada por uma pesquisa documental, baseada em fontes de dados secundárias como editais e políticas públicas relacionadas à equidade de gênero. Os dados foram analisados com a técnica de análise de conteúdo. Os resultados apontaram que as instituições em questão incorporam a equidade de gênero como centralidade temática ou diretriz transversal em seus editais, mas apresentam critérios de avaliação meritocráticos e rígidos, sendo a FACEPE mais flexível em termos de elegibilidade e avaliação e o CNPq mais direcionado e específico no público-alvo de suas políticas públicas. Contribui ao apontar a necessidade de revisão da estrutura das políticas e analisá-las enquanto instrumentos intencionais e indutores.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Feminismo, Gênero, Justiça Social e suas interfaces com a gestão de pessoas e as relações de trabalho
AÉCIO DA SILVA MARTINS
Laura Senna Ferreira
SHEILA KOCOUREK
Este artigo discute as relações entre cuidado, exaustão e desigualdades estruturais na contemporaneidade, articulando gênero, raça e classe como categorias centrais para compreender a organização social do trabalho reprodutivo. Sustenta-se que o cuidado, embora essencial para a reprodução da vida, permanece desvalorizado e invisibilizado em função de uma tradição histórico-colonial que o associa ao feminino e, de modo ainda mais incisivo, às mulheres negras. A partir de autoras como Helena Hirata, Joan Tronto, Nancy Fraser, Silvia Federici, Angela Davis, Lélia Gonzalez, Maria Lugones e Patricia Hill Collins, examina-se o cuidado como categoria política, revelando seu entrelaçamento com processos de racialização, dominação patriarcal e crises da reprodução social. Em diálogo com Byung-Chul Han, Michel Foucault, Sadi Dal Rosso, Jonathan Crary e Ricardo Antunes, discute-se como o capitalismo tardio transforma o cansaço em tecnologia de governo, afetando de forma desigual corpos racializados e feminilizados. Argumenta-se que a economia contemporânea se sustenta na extração da energia física e emocional de trabalhadoras do cuidado, que enfrentam jornadas extensas, precarização e desproteção institucional. Conclui-se que a redistribuição social e política do cuidado, aliada à crítica do regime da exaustão, é condição indispensável para fortalecer a democracia, reduzir desigualdades e recuperar possibilidades de vida menos violentas.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Feminismo, Gênero, Justiça Social e suas interfaces com a gestão de pessoas e as relações de trabalho
Ana Beatriz Pereira Reis
CINTIA RODRIGUES DE OLIVEIRA
Este artigo analisa a produção científica recente sobre as implicações da ameaça de estereótipo de gênero na participação, no desempenho e na identidade científica de mulheres e dissidências de gênero. Adotando o protocolo PRISMA, realizamos uma revisão sistemática da literatura na base Scopus, analisando 35 artigos por meio de análise temática. Os achados foram estruturados em cinco eixos analíticos que integram três camadas, oferecendo a compreensão que a ameaça de estereótipo de gênero atua como fenômeno individual, institucional e político, produzindo exclusões simbólicas, silenciamentos interseccionais e restrições à liberdade acadêmica. Aponta-se que, para o enfrentamento, exige-se a transformação das bases epistêmicas e institucionais da ciência.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Feminismo, Gênero, Justiça Social e suas interfaces com a gestão de pessoas e as relações de trabalho
FABIOLA HARA
Ianaira Barretto Souza Neves
Fernanda Versiani de Rezende
Beatriz Silva Tupiniquim Freitas de Abreu
A persistência da desigualdade de gênero nas organizações manifesta-se atualmente através de formas sutis e institucionalizadas. Assim, este estudo objetivou investigar o cenário das microagressões de gênero em ambientes de trabalho, explorando as formas mais preponderantes dessas agressões, e as estratégias de enfrentamento adotadas pelas mulheres. Trata-se de uma pesquisa quantitativa, de corte transversal, realizada com 371 mulheres atuantes em diferentes setores organizacionais, utilizando a Escala de Microagressões de Gênero no Trabalho (EMAGT) e medidas de estratégias de enfrentamento. Os resultados indicam maior prevalência de microagressões ambientais e de negação da realidade do sexismo, em contraste com manifestações explícitas, como a objetificação sexual. As estratégias mais endossadas foram aquelas voltadas a desarmar a microagressão e educar o ofensor, enquanto o confronto direto mostrou-se mais sensível e contextual. Conclui-se que o sexismo moderno opera via invisibilidade estrutural e gaslighting institucional exigindo das organizações uma revisão de suas culturas para não apenas coibir atos isolados, mas desmantelar a estrutura simbólica que sustenta a desigualdade.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Feminismo, Gênero, Justiça Social e suas interfaces com a gestão de pessoas e as relações de trabalho
Crissianne Sara Barbosa Souza Ferreira
JAQUELINE SILVA DA ROSA
FÁBIO BACELAR MELLO
Silas Dias Mendes Costa
Jaqueline Morbach
Georgia Patrícia da Silva Ferko
Este estudo teve como objetivo analisar a interação entre a esperança e os domínios do modelo PERMA da felicidade em mulheres mães de filhos atípicos, adotando o gênero como eixo central, no contexto do extremo norte do Brasil. Trata-se de um estudo quantitativo e transversal, realizado com 75 mães residentes em Boa Vista no estado de Roraima. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário estruturado, aplicado on-line, com análise por regressão logística. Os resultados evidenciaram que a experiência de bem-estar dessas mulheres é atravessada por relações de gênero que estruturam o cuidado, impactando de forma integrada as dimensões social, econômica e psicológica. Observou-se que a esperança atua como recurso psicológico de enfrentamento, associando-se a emoções positivas e sentido de vida. Entretanto, seus efeitos mostram-se condicionados por desigualdades estruturais, como sobrecarga do cuidado, restrições à inserção laboral e fragilidade das redes de apoio, intensificadas pelo contexto regional amazônico. Conclui-se que a compreensão do bem-estar materno exige uma abordagem situada, que articule recursos psicológicos e condições sociais, contribuindo para leituras críticas da Psicologia Positiva e para políticas públicas sensíveis às desigualdades de gênero e território
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Feminismo, Gênero, Justiça Social e suas interfaces com a gestão de pessoas e as relações de trabalho
Mayara Rodrigues da Cunha
Carolina Maria Mota Santos
Este estudo analisa como mulheres engenheiras brasileiras com 45 anos ou mais percebem a influência da idade em suas trajetórias profissionais e quais estratégias mobilizam para enfrentar o etarismo em contextos organizacionais. A partir de uma abordagem interseccional entre gênero e idade, a pesquisa analisa como práticas e discursos de gestão de pessoas, ainda que não explicitamente excludentes, podem reforçar hierarquias etárias e de gênero nas organizações. Trata-se de um estudo qualitativo, realizado com 25 engenheiras, por meio de entrevistas semiestruturadas analisadas via análise de conteúdo. Os resultados demonstram que o envelhecimento profissional é simultaneamente associado à consolidação de expertise e à vivência de processos de invisibilidade, estagnação e questionamento de competência. Evidencia-se que modelos gerenciais orientados por ideais de juventude, flexibilidade e performance contínua deslocam para o indivíduo a responsabilidade pela permanência e empregabilidade, naturalizando desigualdades estruturais. Além disso, as participantes mobilizam estratégias de reinvenção, qualificação e resistência simbólica para sustentar sua permanência profissional. O estudo contribui para o campo da Gestão de Pessoas ao evidenciar as tensões entre discurso organizacional e experiência vivida, ampliando o debate sobre gestão da idade em profissões historicamente masculinizadas.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Feminismo, Gênero, Justiça Social e suas interfaces com a gestão de pessoas e as relações de trabalho
LETICIA VIVIAN DE SOUSA SILVA
Giselle Cavalcante Queiroz
VALERIA ARAUJO FURTADO
Márcia de Freitas Duarte
O debate sobre juventude, gênero e agronegócio tem ganhado relevância ao evidenciar transformações produtivas e sociais no meio rural, especialmente no que se refere à crescente inserção das mulheres jovens no setor. Nesse contexto, este estudo analisa o perfil, os desafios e as perspectivas da juventude feminina inserida no agronegócio cearense. O objetivo foi compreender como jovens mulheres se inserem e atuam no setor, considerando os desafios e as perspectivas de futuro. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com doze jovens mulheres, com idades entre 18 e 29 anos, atuantes em diferentes áreas do agronegócio no estado do Ceará. A análise dos dados foi conduzida a partir da técnica de análise de conteúdo, organizada em três eixos: inserção e atuação, desafios e barreiras, e incentivos e perspectivas de futuro. Os resultados evidenciam trajetórias plurais de inserção, marcadas pela formação acadêmica, tradição familiar e oportunidades institucionais, bem como a persistência de desigualdades de gênero e geração, expressas em processos de deslegitimação profissional, sobrecarga de funções e situações de assédio. Apesar desses desafios, as jovens demonstram engajamento, protagonismo e projetos de permanência e crescimento no agronegócio, contribuindo para a renovação do setor.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Migração qualificada e diáspora científica brasileira: mobilidades, deslocamentos internos e carreiras em trânsito
Jeandro da Silva Borba
Aline Maria Reinbold Simões
Filipe Augusto Silveira de Souza
Andrea Poleto Oltramari
Este estudo investiga as trajetórias de carreira de 22 brasileiros(as) qualificados(as) e alocados(as) nos Emirados Árabes Unidos (EAU) e Qatar, analisando como mobilizam seus capitais, percebem as barreiras interseccionais e constroem sentido sobre suas trajetórias profissionais. Adotou-se uma abordagem qualitativa e exploratória, fundamentada na análise de dados coletados por meio de questionário estruturado, utilizando-se o método da bola de neve. Os resultados indicam que a progressão de carreira no Golfo Pérsico é moldada por desigualdades de gênero e raça. Enquanto homens convertem capital cultural em financeiro de forma linear, mulheres enfrentam um "labirinto" de interrupções, subordinando suas trajetórias às demandas familiares. Paralelamente, a branquitude atua como um capital invisível que facilita o acesso à elite. Além disso, observou-se que a construção de sentido baseada na segurança, estabilidade financeira e qualidade de vida atua como um mecanismo psicológico fundamental para justificar a migração e mitigar as perdas culturais e afetivas.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Migração qualificada e diáspora científica brasileira: mobilidades, deslocamentos internos e carreiras em trânsito
Bettina Sa D Alessandro
The mobility of Highly Skilled Professionals (HSPs) is shaped not only by economic incentives but also by dignity, autonomy, and institutional security. This systematic review synthesizes evidence from 175 peer reviewed articles (2014 – 2025) to distinguish push and pull drivers of skilled mobility from policy levers and to assess how policies relate to mobility and outcomes. Push factors such as professional stagnation and lack of innovation compel talent departure, whereas pull factors including dignified work environments and institutional security support attraction and retention of HSPs. Although policy instruments are central to shaping mobility patterns, they often fail to sustain long term retention when not accompanied by effective labor market integration. Global disruptive events such as COVID 19, Brexit, and political unrest expose vulnerabilities in managing HSPs on temporary or precarious migration schemes and underscore the need for adaptive mechanisms. The review identifies a key gap: the scarcity of empirical studies on long term causal effects of integration policies on talent retention. To address this gap, it proposes a model that frames talent management as a policy issue requiring collaboration among governments, businesses, and diaspora communities and integrates key dimensions, emphasizing ethical solutions.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Migração qualificada e diáspora científica brasileira: mobilidades, deslocamentos internos e carreiras em trânsito
Lucas Silva das Chagas
Andrea Poleto Oltramari
Filipe Augusto Silveira de Souza
O presente estudo busca entender como o processo de internacionalização de startups brasileiras, mediado por políticas e programas governamentais e redes institucionais, opera como mecanismo de carreira e de mobilidade internacional para jovens qualificados. Para isso, realizou-se uma pesquisa de orientação qualitativa e de caráter exploratório, que envolveu a observação participante em um evento internacional de startups, a realização de 26 entrevistas com sócios/fundadores e a coleta de materiais secundários. Os dados foram analisados por meio de análise temática de orientação indutiva (Braun; Clarke, 2006). Os resultados evidenciam três dimensões essenciais. Em primeiro lugar, destaca-se que o Estado, por meio de instituições públicas, paraestatais, hubs de inovação, universidades, incubadoras e agências de fomento, desempenha papel estruturante na internacionalização das startups. Isso desafia a retórica dominante do empreendedorismo associada a concepções individuais e meritocráticas. Em segundo lugar, revela-se que as startups funcionam como um mecanismo discursivo de engajamento aos ditames das novas modalidades de carreira para jovens qualificados. Por fim, identificou-se um fenômeno híbrido de mobilidade internacional, em que infraestruturas de migração (tecnologias, instituições, organizações e indivíduos) propiciam, a um só tempo, a facilitação, o condicionamento e a legitimação de uma modalidade espacial (virtual e geográfica).
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão Internacional de Recursos Humanos
Fernando Gomes Soares Sanches Manso
Felipe Gouvêa Pena
A internacionalização das operações corporativas tornou a Inteligência Cultural (IC) uma competência estratégica para o desempenho profissional e a legitimidade de empresas multinacionais em contextos multiculturais. Dessa forma, a partir de um estudo qualitativo, analisou-se como a IC contribui para a gestão de talentos e para a efetividade da liderança global sob a ótica de profissionais internacionais, com o objetivo de compreender os mecanismos que conectam as vivências interculturais desses profissionais às condições estruturais que sustentam ou limitam o desenvolvimento organizacional em mercados globais. Os resultados indicam que a IC fortalece a coesão e a eficácia em equipes transnacionais, mas ainda não se encontra institucionalizada em políticas e práticas da área de Gestão Internacional de Recursos Humanos (GIRH). O estudo contribui ao demonstrar caminhos para a conversão da IC em capacidade organizacional no contexto global, apresentando novos caminhos de pesquisa e prática.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão Internacional de Recursos Humanos
CLÁUDIA APARECIDA AVELAR FERREIRA
Renata Cristina Gomes Batista
Simone Costa Nunes
Maraísa da Silva Soares Costa
Este estudo analisa como práticas e indicadores de diversidade, equidade e inclusão (DEI) são materializados e reportados por empresas multinacionais atuantes no Brasil em 2024, problematizando as tensões entre discurso institucional e redistribuição efetiva de poder organizacional. Adotou-se abordagem documental, descritiva e quantitativa, com base na análise de relatórios de sustentabilidade de cinco organizações de diferentes setores econômicos. O estudo fundamenta-se no paradigma da diversidade crítica e na Teoria da Troca Social Interseccional, permitindo examinar não apenas a presença de indicadores, mas suas implicações estruturais e simbólicas. Os resultados evidenciam incorporação heterogênea da agenda de DEI, com avanços em níveis intermediários de gestão, coexistindo com persistente sub-representação feminina e racial em posições decisórias. Observam-se ainda variações setoriais e desigualdades na transparência informacional. Conclui-se que a gestão da DEI nas multinacionais analisadas oscila entre lógica instrumental e potencial transformador, revelando limites estruturais na promoção da diversidade nessas organizações. O estudo contribui ao ampliar o debate sobre a materialização da DEI no contexto brasileiro e suas implicações para a gestão de pessoas e governança corporativa.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: (I)mobilidades e trabalho: dimensões geográficas, ambientais, sociais e tecnológicas
Janaina Maria Bueno
Carlos Roberto Domingues
Ester Paula dos Santos
Ana Carolina Silva Santana
Rafael José Godoi
Os diversos tipos de mobilidade geográfica envolvendo trabalho (imigração, expatriação, autoexpatriação, nomadismo digital), assim como a mobilidade virtual, são motivados por diferentes fatores e atendem vários motivos, ambos relacionados a aspectos econômicos, sociais, culturais e do mercado de trabalho presentes tanto no local de origem quanto no destino. Com esta revisão, objetiva-se apresentar um panorama da literatura internacional sobre a mobilidade geográfica e virtual, com seus diferentes tipos, motivos e o que se busca com cada um deles, a partir das bases acadêmicas Web of Science e Scopus. O período avaliado foi de 2020 a 2025 e, depois de aplicados os critérios de inclusão e exclusão, foi feita a análise de indicadores bibliométricos de produção, mapeamento científico e rede social de autores (conforme Donthu et al., 2021) em 173 artigos. Em seguida, fez-se a análise integrativa com os 25 artigos mais citados, o que permitiu identificar diferentes tipos de mobilidades com seus motivos e objetivos, bem como a indicação das referências bibliográficas específicas para cada tipo de mobilidade encontrada.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: (I)mobilidades e trabalho: dimensões geográficas, ambientais, sociais e tecnológicas
Gabriel Saft de Souza
CRISTIELE MAGALHÃES RIBEIRO
Vanessa Amaral Prestes
Este estudo analisa a liderança em contextos de (i)mobilidade tecnológica, examinando como se configuram as tensões entre autonomia, controle e pertencimento no trabalho remoto. Parte-se da compreensão de que o home office constitui uma estratégia organizacional que reconfigura as territorialidades do trabalho, combinando imobilidade geográfica e circulação digital das atividades. Sob a perspectiva das mobilidades, o trabalho remoto é entendido como um regime de coordenação e visibilidade estruturado por rotas digitais, métricas de desempenho e dispositivos comunicacionais. A pesquisa adota abordagem qualitativa, com entrevistas semiestruturadas realizadas com cinco líderes que atuam em regime remoto, analisadas por meio de análise de conteúdo orientada por categorias teóricas. Os resultados indicam que a autonomia é vivenciada como flexibilidade na gestão do tempo e das tarefas, embora condicionada a parâmetros institucionais e metas organizacionais. O controle não se reduz com a ausência de supervisão presencial, sendo reconfigurado por sistemas tecnológicos que produzem visibilidade contínua e responsabilização individual. O pertencimento emerge como dimensão ambivalente: sustenta engajamento e senso de integração, ao mesmo tempo em que favorece a internalização de expectativas organizacionais. O estudo contribui ao articular a lente das (i)mobilidades às dinâmicas contemporâneas de poder e liderança no trabalho remoto.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: (I)mobilidades e trabalho: dimensões geográficas, ambientais, sociais e tecnológicas
Thiago Ghedin França
Demóstenes Trindade de Souto Araujo
Andrea Poleto Oltramari
Este estudo analisou o sucesso profissional subjetivo de brasileiros qualificados residentes na Austrália, examinando sua relação com orientações de carreira proteana e sem fronteiras, bem como com barreiras contextuais percebidas em um contexto migratório. Adotou-se uma abordagem quantitativa, de caráter descritivo-correlacional e exploratório, com delineamento transversal. Os dados foram coletados por meio da aplicação de uma survey online aplicada a 134 brasileiros com formação superior. As análises incluíram estatísticas descritivas, correlações bivariadas e comparações exploratórias de médias entre grupos definidos por variáveis migratórias e sociodemográficas. Os resultados indicaram elevados níveis de orientações de carreira proteana e sem fronteiras na amostra, bem como associações positivas entre essas orientações e o sucesso profissional subjetivo. Diferenças relevantes foram identificadas conforme tempo de residência, tipo de visto e nível de proficiência em inglês. Os achados sugerem que o sucesso profissional subjetivo de migrantes qualificados resulta da interação entre dimensões individuais e contextual. O estudo mostra que, embora a autonomia e o autodirecionamento sejam relevantes, fatores como estabilidade migratória, tempo de residência e domínio do idioma exercem influência significativa na forma como esses profissionais avaliam suas trajetórias e conquistas no exterior. Palavras-chave: carreira proteana; carreira sem fronteiras; migração qualificada; sucesso profissional subjetivo; barreiras; contexto.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de pessoas no setor público: temas contemporâneos para dilemas recorrentes
DIEGO CÉSAR TERRA DE ANDRADE
Donizeti Leandro de Souza
Este estudo teve como objetivo identificar e comparar os valores organizacionais ideais e percebidos por servidores de uma instituição pública federal, utilizando a escala C-VAT (Culture and Values Analysis Tool) em uma análise longitudinal, com dados coletados em 2015 e 2025. Trata-se de uma pesquisa quantitativa, descritiva e fundamentada no paradigma estruturo-funcionalista. A amostra foi composta por servidores docentes e técnicos administrativos de um Instituto Federal localizado no estado de Minas Gerais. Os resultados apontam para a persistência de desalinhamentos significativos entre os valores desejados e aqueles vivenciados na prática institucional, especialmente nas dimensões de liderança, cuidado com os servidores, trabalho em equipe, reconhecimento do esforço, criatividade e planejamento. Também foram identificados gaps negativos relacionados à valorização excessiva de imagem, status, influência e rigidez normativa, considerados indesejáveis pelos participantes. A pesquisa contribui para o entendimento da cultura organizacional no setor público, evidenciando a necessidade de maior alinhamento entre os valores institucionais e as práticas cotidianas. Os achados oferecem subsídios para o desenvolvimento de políticas de gestão mais humanas, participativas e coerentes com os princípios do serviço público.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de pessoas no setor público: temas contemporâneos para dilemas recorrentes
DIEGO CÉSAR TERRA DE ANDRADE
Este estudo investiga a evolução dos valores pessoais dos servidores públicos e seu impacto na cultura organizacional ao longo de uma década. Utilizando uma abordagem longitudinal, foram aplicadas análises quantitativas e qualitativas em um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia. A pesquisa identificou mudanças significativas nos valores dos servidores, sugerindo uma transição para um ambiente organizacional mais dinâmico e estratégico. Observou-se um aumento na flexibilidade e negociação, enquanto o comprometimento tradicional e o foco em esforço diminuíram. As entrevistas qualitativas indicam que eventos individuais são determinantes nessas mudanças, e não necessariamente a cultura organizacional. Além disso, a percepção dos servidores sobre a instituição variou, com relatos de politização excessiva e burocracia. Os achados ressaltam a necessidade de políticas organizacionais que conciliem os valores individuais e institucionais, promovendo motivação e engajamento. A pesquisa contribui para o debate sobre adaptação organizacional e sugere futuras investigações sobre o impacto dessas mudanças na satisfação e produtividade dos servidores públicos.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de pessoas no setor público: temas contemporâneos para dilemas recorrentes
Alexsandro Ferreira Nascimento
Amanda Soares Zambelli Ferretti
Ricardo Silveira da Paixão
Livia Salvador Cani
O objetivo dessa pesquisa foi compreender como as ações adotadas pela gestão escolar fomentam a educação étnico-racial nas escolas públicas de Ensino Médio. Fundamentada em uma abordagem qualitativa, descritiva e transversal, a pesquisa envolveu entrevistas semiestruturadas com 22 gestores escolares do município de Serra (ES). Essas foram gravadas, transcritas e codificadas, sendo analisadas através da análise de conteúdo de Flores (1994). Os resultados indicam duas dimensões de análise: Desafios à Equidade Racial e Gestão Escolar. A pesquisa destaca que, embora existam avanços pontuais, as ações de equidade racial ainda carecem de sistematização, diagnóstico racial preciso e maior articulação entre gestão, docentes, comunidade e políticas públicas. Nos aspectos teóricos, os resultados desses estudos procuraram apresentar informações que contribuam com a análise de novos interessados em pesquisar essa temática e entender como a gestão escolar pode colocar as desigualdades raciais como prioridade na implantação de políticas educacionais. Com relação às contribuições práticas, o trabalho ofereceu condições para compreender melhor as iniciativas dos sistemas educacionais e suas percepções no ambiente escolar, sendo possível entender quais ações estão conseguindo sua efetividade e onde atuar para superar os desafios observados por diretores escolares e coordenadores pedagógicos nas escolas públicas.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de pessoas no setor público: temas contemporâneos para dilemas recorrentes
SARIS PINTO MACHADO JUNIOR
Bruno de Souza Lessa
Débora Maria Magalhães Oliveira
Bárbara Sampaio de Menezes
This study investigates how creative self-efficacy and individual absorptive capacity influence innovative performance, both directly and indirectly through individual ambidexterity. Drawing on social cognitive theory, organizational learning theory, and ambidexterity theory, the article develops and empirically tests a theoretical–empirical model using survey data collected from employees in a public sector organization. The hypotheses were examined through Partial Least Squares Structural Equation Modeling (PLS-SEM). The results provide robust support for all proposed relationships, demonstrating that creative self-efficacy and absorptive capacity significantly enhance innovative performance. Moreover, individual ambidexterity, understood as the capacity to balance exploratory and exploitative behaviors, emerges as a key mediating mechanism linking individual capabilities to innovation outcomes. The findings advance the literature by reinforcing the relevance of microfoundations in explaining innovation and by empirically validating individual ambidexterity in a public sector context. From a practical perspective, the study highlights the importance of managerial practices and training initiatives that foster confidence in creative abilities, learning capacity, and behavioral flexibility among public employees. Overall, the article contributes to ongoing debates on public sector innovation by offering an integrated, individual-level explanation of innovative performance.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de pessoas no setor público: temas contemporâneos para dilemas recorrentes
Rui Fernando Correia Ferreira
Nayele Macini
Bruno de Almeida Vilela
Wesley Canedo de Souza Junior
Este estudo valida e testa um modelo explicativo de competências gerenciais no contexto do militar da Força Aérea Brasileira. A partir de uma modelagem teórica com a Competência Gerencial Global (CGG) como construto reflexivo de 2ª/ordem (oito dimensões de 1ª/ordem) e examinou-se seus vínculos com Práticas de Gestão por Competências (PGC), Comprometimento Afetivo (COM) e Desempenho percebido da unidade (DES). A amostra de militares em transição ao oficialato (N = 220) respondeu um questionário organizado em escalas Likert (1–5). Os resultados foram estimados por meio de um PLS-SEM em duas etapas (R/plspm), avaliando cargas, confiabilidade (α, rhoC), AVE, validade discriminante (HTMT/Fornell–Larcker), VIF, R², f² e bootstrapping. As cargas de 2ª/Ordem sustentaram validade convergente. No modelo estrutural, observaram-se PGC→CGG (β_0,57; R²_CGG 0,33), CGG→COM (β_0,50; R²_COM 0,25), CGG→DES (β_0,23) e COM→DES (β_0,58; R²_DES 0,52), indicando mediação parcial de COM no efeito de CGG sobre DES. Os VIFs dos preditores de CGG ficaram <5, sem colinearidade problemática. Observou-se que PGC funciona como alavanca organizacional que, ao fortalecer CGG, promove COM e DES. Teoricamente, o estudo sustenta CGG como meta-capabilidade; gerencialmente, orienta prioridades de desenvolvimento (dimensões com maiores cargas) e o ajuste de PGC (perfis, seleção, avaliação, formação e feedback).
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de pessoas no setor público: temas contemporâneos para dilemas recorrentes
Katya Valéria Araujo Melo
Amanda Soares Zambelli Ferretti
Este ensaio teórico tem como objetivo analisar criticamente o uso de tecnologias de Inteligência Artificial (IA) no processo decisório da gestão pública brasileira, considerando seus efeitos sobre a racionalidade gerencial, o julgamento humano e a efetividade das decisões públicas. Para tanto, realizou-se uma reflexão teórica ancorada na literatura sobre processo decisório no setor público, racionalidade organizacional e transformação digital, articulando esses campos por meio da formulação de proposições teóricas. Como principal resultado, o estudo evidencia que a adoção de IA tende a reforçar a racionalidade formal e a eficiência decisória, ao mesmo tempo em que gera riscos associados à dependência algorítmica, à institucionalização de vieses e à desumanização das decisões públicas. A partir dessa análise, propõe-se um modelo conceitual em formato de continuum, que varia da total automatização algorítmica ao julgamento humano, no processo de colaboração humano–IA, com supervisão humana em todo o fluxo, como vistas ao arranjo decisório desejável. As contribuições teóricas residem na integração crítica entre racionalidade decisória, governança algorítmica e centralidade do humano no setor público. No plano prático, o ensaio oferece subsídios para gestores públicos ao enfatizar a necessidade de capacitação, transparência, supervisão humana e critérios éticos na adoção de tecnologias de IA.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de pessoas no setor público: temas contemporâneos para dilemas recorrentes
Péricles Nóbrega de Oliveira
Sonia Maria Guedes Gondim
Diva Ester Okazaki Rowe
Brazilian public administration organizations have widely adopted teleworking, especially due to the Covid-19 pandemic. However, the effects of teleworking on workers still need to be investigated further, particularly with regard to personal experiences and forms of adaptation, which have received little attention to date. This study therefore aims to analyze the experiences of teleworkers (their feelings, the benefits they perceive, and the changes to their work design) at one of the first federal educational institutions (IFE) to officially implement teleworking. To achieve this, data was collected using the Online Focus Group technique and analyzed using Thematic Categorical Analysis. The results showed that the advantages relate to better performance, greater efficiency and improved quality of life. It was concluded that the perception of advantages outweighs the perception of disadvantages, and that job crafting is a necessary strategy for teleservers to feel positive about teleworking, thereby contributing to mental health and better performance.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de pessoas no setor público: temas contemporâneos para dilemas recorrentes
Litieli Tadiello Bedinoto Farias
Vânia Medianeira Flores Costa
Luis Felipe Dias Lopes
Esta pesquisa buscou identificar e comparar as percepções dos servidores com as das chefias imediatas sobre o impacto do treinamento no trabalho, identificar a percepção dos servidores sobre o suporte à transferência e analisar as possíveis relações entre características dos servidores, características das capacitações, suporte à transferência e impacto do treinamento no trabalho. Para tanto, utilizou-se uma abordagem quantitativa, do tipo survey, de corte transversal, com dois instrumentos para a coleta de dados. A pesquisa contou com 305 respondentes servidores e 120 chefias. As análises realizadas contemplaram estatística descritiva, modelagem de equações estruturais com mínimos quadrados parciais (PLS-SEM) e teste não paramétrico de Mann-Whitney (U). Os principais resultados demonstraram uma percepção positiva quanto ao impacto do treinamento no trabalho e ao suporte à transferência. Além disso, o estudo evidenciou que o suporte dos colegas foi de fundamental importância para a aplicação das novas aprendizagens no trabalho. O suporte material também exerceu influência positiva sobre o impacto do treinamento no trabalho, ao passo que o apoio das chefias imediatas não apresentou relação estatisticamente significativa. Os resultados revelaram, ainda, que a função de chefia exercida pelo servidor atua como variável moderadora na relação entre o suporte material e a aplicação do treinamento.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de pessoas no setor público: temas contemporâneos para dilemas recorrentes
Fernanda dos Santos Dias Maia
LEONARDO FERREIRA BEZERRA
Marcus Brauer
Ettore de Carvalho Oriol
Luiz Carlos Victorino de Souza Junior
ALESSANDRO BANDEIRA DE OLIVEIRA
A implementação do teletrabalho tem se intensificado nos últimos anos, inclusive no setor público. Nesse contexto, é necessário compreender os fatores que impactam a qualidade de vida dos trabalhadores que atuam nessa modalidade. Diante disso, esse estudo buscou identificar a influência da Liderança na Qualidade de Vida no Teletrabalho – QVTe, considerando a percepção das Práticas de Gestão de Pessoas (PGP) como variável moderadora, no contexto do setor público brasileiro. Metodologicamente, realizou-se uma pesquisa quantitativa, de corte transversal, com abordagem descritiva e explicativa. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário aplicado a 245 servidores e empregados públicos em regime de teletrabalho. Os dados foram analisados com técnicas estatísticas multivariadas, especialmente Modelagem de Equações Estruturais (SEM). Os resultados indicaram que as PGP não exercem papel moderador na relação entre liderança e QVTe. Em contrapartida, verificou-se que a liderança, sobretudo aquela que prioriza o foco em pessoas, exerce impacto direto e positivo na QVTe, destacando o papel central dos líderes no bem-estar dos teletrabalhadores. Considerando a escassez de investigações voltadas ao setor público brasileiro, este estudo contribui para o avanço da literatura sobre teletrabalho e fornece subsídios para a formulação de políticas de gestão mais eficazes para este segmento.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de pessoas no setor público: temas contemporâneos para dilemas recorrentes
Rodilon Teixeira
O teletrabalho no setor público, amplamente adotado durante a pandemia da COVID-19, passou a ser progressivamente institucionalizado no período subsequente, deslocando o debate de uma resposta emergencial para um arranjo organizacional permanente. Apesar da expansão da produção científica a partir de 2021, os achados permanecem dispersos e, por vezes, contraditórios quanto aos seus impactos na gestão e no desempenho organizacional. Este artigo analisa, por meio de uma revisão sistemática da literatura, como o teletrabalho institucionalizado vem sendo abordado no setor público no período pós-pandemia (2021–2025). A pesquisa seguiu o protocolo PRISMA 2020 e examinou 46 artigos revisados por pares, indexados nas bases EBSCO, Scopus, SPELL e Web of Science. A análise temática identificou cinco dimensões centrais: gestão de pessoas, controle e avaliação, desempenho organizacional, bem-estar no trabalho e desafios institucionais. Os resultados indicam que os efeitos do teletrabalho não são automáticos, mas sim mediados por capacidades gerenciais, arranjos de controle e condições organizacionais específicas. O estudo contribui para a Administração Pública ao qualificar o debate sobre a institucionalização do teletrabalho e ao evidenciar que seu desempenho depende do alinhamento entre governança, accountability e flexibilidade organizacional.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de pessoas no setor público: temas contemporâneos para dilemas recorrentes
Rosalynn Rebouças de Moura
MILTON JARBAS RODRIGUES CHAGAS
O presente estudo tem por objetivo analisar a relação entre os fatores de riscos psicossociais e os níveis de saúde, estresse e bem-estar dos docentes vinculados a um Centro de Ciências Sociais Aplicadas de uma Instituição Federal de Ensino Superior (IFES). Trata-se de uma pesquisa quantitativa e descritiva, realizada por meio da aplicação do Copenhagen Psychosocial Questionnaire (COPSOQ II) – Versão Média. Os resultados, analisados via estatística descritiva e inferencial, diagnosticaram um cenário de ambivalência: se por um lado o trabalho oferece altas possibilidades de desenvolvimento e significado (fatores de proteção), por outro, as exigências emocionais e cognitivas situam-se em níveis críticos de risco. A análise de correlação confirmou que as exigências quantitativas e o conflito trabalho-família são fortes preditores de Burnout e Estresse, enquanto o apoio social de colegas atua como amortecedor do adoecimento. Conclui-se que o sofrimento docente possui raízes organizacionais, demandando intervenções na gestão do trabalho e não apenas no indivíduo.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de pessoas no setor público: temas contemporâneos para dilemas recorrentes
Sheila Ricarda Berbel
Andrea Leite Rodrigues
Alcides Barrichello
Diogo Henrique Helal
Este estudo investiga como oficiais femininas em posições de comando constroem os sentidos do trabalho ao longo de diferentes gerações institucionais em uma organização policial pública. Ao integrar a teoria dos sentidos do trabalho e a perspectiva geracional, o artigo propõe que reformas organizacionais atuam como marcos históricos que reconfiguram disposições coletivas, identidades profissionais e critérios de legitimidade na liderança pública. Ancorado nos referenciais de Public Service Motivation e valor público, adota desenho multimétodos com survey (n = 703), entrevistas e grupos focais, combinando regressão múltipla hierárquica, análise fatorial e análise lexical. Os resultados indicam que utilidade social, oportunidades de aprendizagem e retidão moral explicam mais de 80% da variância dos sentidos do trabalho, evidenciando a centralidade de fundamentos normativos na motivação em contextos de autoridade estatal. A análise geracional demonstra que mudanças institucionais produzem efeitos simbólicos duradouros, diferenciando coortes quanto às bases de reconhecimento, ética e pertencimento. Ao conceber gerações como fenômeno institucional, o estudo amplia o escopo analítico da Gestão de Pessoas no setor público e oferece implicações para o desenvolvimento de lideranças em organizações de alta responsabilidade social.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de pessoas no setor público: temas contemporâneos para dilemas recorrentes
Rosalynn Rebouças de Moura
MILTON JARBAS RODRIGUES CHAGAS
Este estudo analisa diferenças significativas nos níveis de burnout entre docentes homens e mulheres associadas aos fatores de riscos psicossociais no trabalho em uma instituição federal de ensino superior. Trata-se de um recorte analítico de pesquisa quantitativa, descritiva e analítica, realizada com docentes da área de Ciências Sociais Aplicadas de uma instituição pública federal. Utilizou-se o Copenhagen Psychosocial Questionnaire – COPSOQ II (versão média), instrumento estruturado em sete dimensões que avaliam fatores psicossociais e indicadores de saúde ocupacional. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e inferencial, aplicando-se o teste t de Student para comparação entre grupos. Os resultados indicaram diferenças significativas nos níveis de burnout entre docentes homens e mulheres, evidenciando maior vulnerabilidade feminina ao desgaste ocupacional. Conclui-se que o gênero constitui variável relevante na compreensão do burnout docente, demandando estratégias institucionais específicas para promoção da saúde no trabalho.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de pessoas no setor público: temas contemporâneos para dilemas recorrentes
JEFFERSON MODESTO DE OLIVEIRA
Edna Torres de Araujo
O adoecimento mental tem se consolidado como uma das principais causas de afastamento no serviço público brasileiro, refletindo condições organizacionais marcadas por rigidez hierárquica, sobrecarga e fragilidades na gestão de pessoas. Este estudo analisa a relação entre assédio moral e afastamentos por transtornos mentais em uma universidade pública da Amazônia, no período de 2022–2023. Trata-se de pesquisa quanti-qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, fundamentada na triangulação de dados secundários: registros de afastamentos por CID F no SIASS (com ênfase em F32, F41 e F43), atendimentos psicossociais institucionais (2022–2024), inquéritos civis do Ministério Público do Trabalho (2022–2024) e Relatório de Autoavaliação Institucional. Os resultados evidenciam crescimento expressivo dos afastamentos por transtornos mentais em 2023, com predominância de diagnósticos associados ao sofrimento psíquico relacionado ao trabalho, concomitante à recorrência de apurações formais de assédio moral. Discute-se a gestão humanizada, ancorada na adaptação das competências Caritas de Jean Watson, como estratégia institucional de prevenção e enfrentamento, orientada por práticas de acolhimento, escuta ativa e fortalecimento das relações interpessoais no ambiente organizacional.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Políticas de gestão de pessoas e sentidos do trabalho
daniel saldanha guedes
Este ensaio teórico investiga como os sentidos do trabalho são construídos em arquiteturas organizacionais interorganizacionais, tomando o franchising como contexto empírico. Embora o franchising seja relevante na geração de trabalho e renda, suas implicações subjetivas permanecem pouco exploradas pela literatura de sentidos do trabalho. Metodologicamente, trata-se de um model paper (Jaakkola, 2020), que integra a literatura de meaningful work com estudos de governança e paradoxos organizacionais, propondo uma arquitetura multidimensional composta por dimensões estruturais, relacionais e identitárias, mediadas por tensões entre autonomia e controle, pertencimento e isolamento, eficiência e desenvolvimento humano, e, lucro e dignidade. Como contribuição teórica, o artigo amplia o escopo dos estudos sobre sentidos do trabalho para formas organizacionais híbridas e propõe uma leitura humanizada do franchising como espaço de construção identitária e afetiva, deslocando a literatura de franchising para além de lentes econômicas e contratuais.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Políticas de gestão de pessoas e sentidos do trabalho
Michele Ruzon Kassem
Wilson Aparecido Costa de Amorim
Este estudo investiga a percepção de efetividade dos mecanismos formais de voz dos empregados no setor bancário brasileiro, uma economia de mercado hierárquico. Considerando que a decisão de vozear envolve uma avaliação de custos e benefícios e de que tal avaliação é influenciada for fatores institucionais, que extrapolam a relação interpessoal líder-liderado, o artigo busca responder à seguinte questão: vale a pena vozear? A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com base em 18 entrevistas semiestruturadas realizadas com gestores, empregados e representantes sindicais de bancos públicos, privados e multinacionais. Os dados foram analisados por meio de interpretação hermenêutica, complementada por fontes secundárias do setor. Os resultados indicam que a efetividade da voz está menos associada à existência de canais e mais ao sentimento de “ser ouvido”, sustentado pela confiança nas lideranças, pela coerência entre discurso e prática organizacional e pela percepção de segurança. Observou-se a coexistência de duas concepções predominantes: uma voz gerencial, orientada ao desempenho e individualizada, e uma voz pluralista, vinculada à representação coletiva. Conclui-se que as influências institucionais não apenas condicionam o uso dos mecanismos de voz, mas moldam seu próprio significado, oferecendo contribuições teóricas e implicações práticas para a gestão das relações de trabalho.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Políticas de gestão de pessoas e sentidos do trabalho
Marcelo Trevisan
Laerte Magno Muraro Descovi
Gabriel Alves Kufner
Esta pesquisa tem como objetivo geral analisar as políticas e práticas de gestão de pessoas, com foco na promoção da diversidade e inclusão, adotadas por empresas premiadas. Para isso, utilizou-se do método qualitativo, de caráter descritivo e exploratório, com a realização de 17 entrevistas semiestruturadas, junto a profissionais atuantes na área de gestão de pessoas de empresas certificadas pelo Great Place To Work (GPTW), das cinco regiões do Brasil. Os resultados apontaram a presença de algumas iniciativas de Diversidade e Inclusão (D&I) no recrutamento e seleção, como processos direcionados a grupos minorizados específicos e parcerias com consultorias especializadas em língua de sinais e na população trans. Contudo, segundo os entrevistados, o onboarding mostrou-se mais superficial à integração efetiva dos novos colaboradores, focando principalmente nas regras, condutas e aspectos institucionais. Esse cenário pode estar relacionado a barreiras estruturais que dificultam o avanço das ações de diversidade e inclusão no campo organizacional. Conclui-se que embora as empresas certificadas pelo GPTW apresentem avanços na incorporação em suas iniciativas, enquanto política, ainda há a necessidade de uma robustez maior para que essas alterações sejam capazes de formar times cada vez mais diversos.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Políticas de gestão de pessoas e sentidos do trabalho
Luiz Guilherme Meirelles Castro
Anelise Rebelato Mozzato
Este estudo teve como objetivo analisar o sentido do trabalho para pessoas com deficiência visual. Para tanto, adotou-se como referencial teórico a proposta de Morin (2001), orientando a investigação para o aprofundamento da dimensão individual do sentido do trabalho. Para isso, seguiu-se uma abordagem qualitativa, exploratória e descritiva. História de vida foi utilizada não apenas como uma técnica de coleta de dados, mas também como estratégia de pesquisa qualitativa. Onze participantes foram selecionados por meio da técnica de bola de neve, sendo a coleta de dados encerrada por saturação. Nessa lógica, utilizou-se como questão gatilho: “Com base na sua história de vida, como foi a sua inserção no mercado de trabalho e como ela fez sentido para você?”. À luz dos resultados, constatou-se que os aspectos examinados não se restringem à dimensão individual, mas abrangem também as dimensões organizacional e social, todas fundamentais para a compreensão do tema. Desse modo, além de fomentar reflexões acerca da formulação e da sustentação de políticas públicas de inserção e inclusão, a pesquisa contribui para o entendimento da complexa subjetividade que permeia a participação das diversidades nas organizações.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Políticas de gestão de pessoas e sentidos do trabalho
Ícaro Romão Fiore de Farias
Anelise Rebelato Mozzato
Este estudo analisa as relações entre etarismo e sentidos do trabalho para trabalhadores acima de 45 anos em uma instituição de ensino superior (IES) e em uma indústria no Rio Grande do Sul. Salienta-se que foi adotada a perspectiva crítica de Antunes (2025), na qual se compreende o trabalho como elemento central e ontológico da existência humana, cuja significação é profundamente influenciada pelas condições do capitalismo contemporâneo. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, sendo operacionalizada por meio de estudo de casos múltiplos. A análise dos dados foi conduzida por meio de análise temática, com o apoio do software Atlas.ti. Os resultados revelam que o etarismo compromete sistematicamente as dimensões de reconhecimento, valorização, realização profissional, autonomia e pertencimento, manifestando-se diferentemente conforme gênero e setor. Mulheres enfrentam discriminação materializada através de questionamentos sobre competência técnica, pressões estéticas e invisibilização de contribuições. Homens experimentam ansiedades relacionadas à obsolescência tecnológica e pressões para demonstrar produtividade. Na indústria predominam microagressões normalizadas, enquanto na IES observa-se precarização específica através de mecanismos que excluem o trabalhador mais velho. Conclui-se que práticas discriminatórias etárias são expressões sistemáticas das contradições capitalistas que marginalizam trabalhadores considerados menos produtivos, exigindo transformações estruturais que transcendam intervenções organizacionais pontuais.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho e Relações de Trabalho: desafios da contemporaneidade
Cleidh Maia Lima
Antonio Carvalho Neto
Eduardo Alejandro Carmona
El documento analiza los impactos de la Revolución 4.0 en los sistemas de relaciones laborales (SRT), tomando como base la percepción de trabajadores financieros en Brasil y México. El artículo detalla los principales aspectos de la Revolución 4.0 y destaca las innovaciones que están impactando en el mercado laboral bancario y en la organización de los trabajadores en este campo. Comprender estos fenómenos es fundamental para abordar las oportunidades y riesgos que surgen de esta transformación en los sistemas de relaciones laborales. El estudio también aborda cuestiones relacionadas con el futuro de los medios de pago, las transacciones internacionales, el acceso a los servicios bancarios, la intermediación bancaria, el mercado laboral del sector y la propia existencia de los bancos. Por lo tanto, es importante realizar un estudio que tome en cuenta la perspectiva de los trabajadores, para contribuir a la comprensión de las relaciones laborales en el contexto de las nuevas tecnologías de la Revolución 4.0.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho e Relações de Trabalho: desafios da contemporaneidade
JOSE RODOLFO TENÓRIO LIMA
Milka Alves Correia Barbosa
O setor canavieiro brasileiro, marcado por quase cinco séculos de cultivo, passou por profundas transformações nas últimas décadas. A mecanização da colheita e a crise econômica que atingiu fortemente o Nordeste resultou na eliminação de centenas de milhares de postos de trabalho manuais. Esse processo de exclusão laboral gerou impactos significativos para os trabalhadores que tiveram que desenvolver novas trajetórias laborais. Diante disto, o presente texto tem como objetivo apresentar o ferramental teórico bourdieusiano, especialmente os conceitos de campo, capital e habitus como recurso para investigar a trajetória dos ex-canavieiros e, desta forma, ser mais uma via na compreensão sobre os efeitos da reestruturação que marcou o setor nos últimos anos. Ao articular a teoria bourdieusiana com interpretações da formação social brasileira, marcada pela herança escravista e pela superexploração do trabalho, o estudo busca contribuir para o debate sobre o destino dos ex-canavieiros.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho e Relações de Trabalho: desafios da contemporaneidade
Alex Ignacio
VALCENIR DA SILVA RIBEIRO
Anelise Rebelato Mozzato
A adoção crescente da Inteligência Artificial suscita discussões sobre a automação de tarefas cognitivas e os desafios éticos, culturais e sociais. O presente artigo tem como objetivo principal investigar a evolução acadêmica e científica da intersecção entre inteligência artificial, trabalho e humanização, possibilitando a proposição de futuras agendas de pesquisa. A metodologia utilizada foi uma revisão bibliométrica e exploratória, com análise de 307 artigos científicos extraídos das bases de dados Scopus e Web of Science. As buscas consideraram publicações até 2024, empregando descritores específicos relacionados à inteligência artificial e à humanização do trabalho. Os resultados indicam um crescimento contínuo e emergente da produção científica sobre o tema, com um pico de publicações em 2023. Os padrões temáticos estão centrados em "artificial intelligence" e "future of work". A pesquisa reforça que a humanização organizacional não é automática, mas sim uma construção que depende de escolhas estratégicas. Conclui-se que o campo está enraizado nas ciências sociais e de gestão e que demanda pesquisas futuras em áreas como o bem-estar, a liderança e modelos integrativos de adoção da inteligência artificial.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho e Relações de Trabalho: desafios da contemporaneidade
Bianca de Jesus Rabelo
César Henrique Souza Lima
A crescente adoção de algoritmos e inteligência artificial na gestão de recursos humanos tem transformado profundamente as relações de trabalho contemporâneas, gerando tensões significativas relacionadas à vigilância, privacidade, transparência, viés algorítmico e autonomia dos trabalhadores. Este artigo técnico examina os desafios práticos enfrentados pelas organizações ao implementar sistemas algorítmicos de gestão de pessoas, analisa seus impactos no clima organizacional e nas relações de trabalho, e propõe um modelo integrado de governança algorítmica para mitigar essas tensões. Fundamentado em revisão sistemática da literatura acadêmica recente, o modelo proposto articula quatro dimensões essenciais: transparência e explicabilidade algorítmica, participação e negociação coletiva, avaliação de impacto em direitos humanos, e accountability organizacional. A análise revela que, embora os sistemas algorítmicos prometam eficiência e objetividade, sua implementação sem governança adequada pode gerar erosão da confiança organizacional, desequilíbrios de poder, riscos legais e reputacionais. O modelo proposto oferece diretrizes práticas para implementação responsável de sistemas algorítmicos de RH, mecanismos de auditoria e monitoramento contínuo, e estratégias para equilibrar eficiência operacional com proteção dos direitos dos trabalhadores.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho e Relações de Trabalho: desafios da contemporaneidade
Ilton Luiz Assi
Almir Martins Vieira
Este ensaio teórico, fundamentado na sociologia da prática de Pierre Bourdieu e em desenvolvimentos recentes da teoria organizacional digital, propõe a Gestão Ativa do Habitus Organizacional (GAHO) como resposta ética e política ao processo hegemônico de algoritmização. Parte-se do argumento de que a lógica algorítmica, ao manifestar a ilusão escolástica digital, engendra uma dissonância estrutural chamada de crise de histerese: um desajuste entre o habitus durável e a estrutura algorítmica modulada. Contra o falibilismo metodológico do management tradicional, a GAHO articula uma práxis reflexiva estruturada em quatro pilares dialeticamente interconectados: Pilar Epistemológico, Pilar Estrutural, Pilar Prático e Pilar Normativo. Conclui-se que a GAHO, ao “destruir a necessidade pela consciência”, é o pré-requisito para superar a atualização repetidora, pavimentando o caminho para a Computação Contingente e para a inventividade organizacional.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho e Relações de Trabalho: desafios da contemporaneidade
Rodolfo Ferreira Maritan
Rafael Alcadipani da Silveira
Fernando Ressetti Pinheiro Marques Vianna
A Inteligência Artificial (IA) é central para a cibersegurança das organizações. Apesar da expansão no uso da IA e da pesquisa em cibersegurança em aspectos econômicos e computacionais, pouco se sabe sobre como a IA transforma o trabalho de profissionais de cibersegurança. Neste sentido, este estudo questiona Como a Inteligência Artificial transforma o trabalho de profissionais de cibersegurança? e empregou uma abordagem qualitativa em 40 entrevistas semiestruturadas com profissionais brasileiros. Os resultados mostraram que a IA transforma o trabalho em cibersegurança em três níveis. No nível contextual, ao facilitar o cibercrime e evidenciar as lacunas regulatórias e institucionais. No nível organizacional, pressiona as empresas a reorganizar processos de segurança e estruturas de governança e produzindo uma tensão entre ganhos de eficiência e aumento de vulnerabilidades. No nível profissional, reconfigura o trabalho por meio de mudanças na preparação técnica, ampliação do escopo de atuação e o surgimento de novas características profissionais orientadas à antecipação de riscos, à educação e à supervisão humana no uso da IA. O estudo contribui para a área de Management ao deslocar a atenção da IA para além do componente técnico e mostra as implicações dela no contexto, nas empresas e no trabalho dos profissionais de cibersegurança.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho e Relações de Trabalho: desafios da contemporaneidade
Vinicius Braga Soares
Este ensaio teórico analisa a convergência entre o contrato de trabalho intermitente e o fenômeno da “uberização” no Brasil, sob o controle da gestão mediada por Inteligência Artificial. O objetivo central é investigar como essa modalidade contratual atua como alicerce jurídico para a precarização laboral, transformando a disponibilidade em uma mercadoria gerida por algoritmos. Metodologicamente, o estudo fundamenta-se em uma revisão bibliográfica crítica e interpretativa, articulando autores clássicos e literatura recente (pós-2023). Os resultados indicam que a gestão algorítmica intensifica as tensões entre proprietários, gestores e trabalhadores, institucionalizando a incerteza salarial e o desamparo social local em prol de uma eficiência tecnológica global. O trabalho revela o paradoxo da conectividade constante, que impõe vigilância ininterrupta sem a contrapartida da proteção social. Conclui-se com a proposição de novos olhares para a Gestão de Pessoas, defendendo uma governança algorítmica ética e a retomada do protagonismo humano na mediação das relações de trabalho. O ensaio contribui para o debate acadêmico ao desafiar modelos de eficiência que ignoram a dignidade humana, sugerindo caminhos para uma prática organizacional mais justa e sustentável diante das transformações digitais contemporâneas.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho e Relações de Trabalho: desafios da contemporaneidade
Frederico Andreis Beneli Donadon
TEUCLE MANNARELLI FILHO
Este ensaio teórico tem como objetivo analisar as profundas transformações epistemológicas e operacionais impulsionadas pela adoção da Inteligência Artificial (IA) e do People Analytics na Gestão de Pessoas (GP). Inserido no contexto das discussões contemporâneas sobre estudos críticos (Tema 7) e o futuro das relações de trabalho (Tema 14) do EnGPR, o estudo problematiza a transição de um modelo de gestão historicamente fundamentado na intuição para um paradigma data-driven, caracterizado pela predição algorítmica. Argumenta-se que essa evolução tecnológica engendra uma tensão dialética fundamental: de um lado, a promessa de eficiência irrestrita, mitigação de vieses cognitivos humanos e otimização do capital humano; de outro, o risco iminente de desumanização, vigilância panóptica, opacidade decisória e a reprodução em larga escala de desigualdades estruturais através do viés algorítmico. Apoiando-se em marcos regulatórios, como o AI Act europeu e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o ensaio propõe que o futuro da GP reside na simbiose da inteligência aumentada, exigindo que o administrador atue como um arquiteto sociotécnico capaz de assegurar a primazia do julgamento ético humano (Human-in-the-loop) sobre a lógica puramente matemática.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho e Relações de Trabalho: desafios da contemporaneidade
Izabella Braga Dantas
Rogério Tadeu da Silva
Esse artigo apresenta a percepção de trabalhadores em escala 6x1 sobre vida pessoal, bem-estar e outras dimensões em relação ao trabalho para ajudar no entendimento do movimento Vida Além do Trabalho (VAT). O problema de pesquisa é verificar se as propostas apresentadas pelo VAT são coerentes com o que se observa entre os trabalhadores e quanto a referida escala 6x1 afeta a qualidade de vida do trabalhador. O objetivo é observar a percepção dos trabalhadores em escala 6x1 sobre dimensões de qualidade de vida, relacionando tais às propostas do VAT. A metodologia adotada foi survey. Foram realizadas Análise de Confiabilidade e Análise Fatorial Exploratória para validação do instrumento de coleta, que se mostrou adequado e validado. Os resultados corroboram com a literatura relacionada ao tema e com as propostas do VAT. Observou-se entre os respondentes problemas com descanso, lazer e com outras atividades não laborais. A partir da amostra, a escala 6x1 se apresenta prejudicial à qualidade de vida do trabalhador. Portanto, é necessário continuar o estudo para ampliar o entendimento sobre as consequências da escala 6x1 e orientar os esforços organizacionais para resolver os problemas de qualidade de vida do trabalhador.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Trabalho e Relações de Trabalho: desafios da contemporaneidade
Natália Helena dos Santos Novais
André Luiz Sica de Campos
Este estudo se configura como uma metassíntese de estudos qualitativos e tem como objetivo compreender como se constituem as barreiras enfrentadas por docentes negros no campo do trabalho. Para isso articulamos duas perspectivas teóricas a Teoria Crítica da Raça (TCR) e a Sociologia Bourdieusiana. O artigo está dividido em quatro partes. Na primeira, apresentamos o panorama da pesquisa. Na segunda, abordamos a interação do docente negro com o campo do trabalho. Na terceira parte descrevemos os procedimentos metodológicos, bem como a execução da metassíntese. Na quarta e última parte apresentamos as considerações finais. Os dados levantados mostram que professores negros enfrentam diversas barreiras no campo do trabalho. Dentre elas se destacam as relacionadas ao racismo interpessoal e ao racismo institucional praticados por agentes individuais ou coletivos. Situamos este trabalho como um importante instrumento para reflexão sobre a situação do docente negro no campo do trabalho. Aqui o docente negro é visto como um agente submetido a uma relação de trabalho desigual.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Percursos, processos e práticas da Gestão de Recursos Humanos: perspectivas internacionais, nacionais e locais
Bruno Braz Felicio
Julio Araujo Carneiro da Cunha
Marcelo Carvalho
O Marketing Interno (MI) vem sofrendo embates teóricos e práticos nos últimos anos, de forma que se tornou legítimo direcionar seu foco principal para o colaborador. Isso traz, inevitavelmente, a aproximação de MI com a Gestão de Pessoas. Desta forma, dentro dos desafios da retenção de talentos inerentes à Gestão de Pessoas, deve-se considerar as estratégias de MI. Assim, o objetivo deste estudo é entender a relação entre MI e intenção em se manter no emprego considerando efeitos mediadores, tais como do alinhamento de valores do colaborador com a empresa e a satisfação dele com o trabalho. Este estudo utilizou modelagem de equações estruturais a partir de uma coleta com 275 respondentes. Os resultados não indicaram uma relação direta significativa entre MI e intenção em se manter no emprego. Todavia, foram observados efeitos indiretos mediados pela satisfação no emprego e o alinhamento dos valores. Portanto, o marketing interno pode ser uma ferramenta útil para estimular que os colaboradores queiram se manter no emprego contanto que haja ações integradas que estimulem a satisfação e o alinhamento de valores do colaborador. Gerencialmente, verificou-se que investir no MI vale a pena se feito integrada com outros elementos da Gestão de Pessoas.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Percursos, processos e práticas da Gestão de Recursos Humanos: perspectivas internacionais, nacionais e locais
Maraísa da Silva Soares Costa
Simone Costa Nunes
CLÁUDIA APARECIDA AVELAR FERREIRA
Renata Cristina Gomes Batista
A inclusão das pessoas com deficiência é um processo complexo que depende da participação da gestão de recursos humanos, da pessoa com deficiência e familiares, da empresa com uma cultura inclusiva e outros recursos como a tecnologia assistiva (TA). Mas, ainda existem diversas barreiras e desafios para a inclusão. O objetivo desse estudo foi levantar políticas e práticas de Recursos Humanos (RH) relacionadas à implantação da TA. Trata-se de estudo com abordagem qualitativa, que privilegiou a entrevista para a coleta de dados em Empresas Elegíveis da Carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) e que utilizou a técnica análise de conteúdo. O referencial teórico tem como base a abordagem estratégica da gestão de RH e o modelo proposto por Manzini Deliberato (2006), que considera a condição e necessidade específica do indivíduo no que se refere ao tipo de tecnologia assistiva a ser utilizada de acordo com o tipo de deficiência ou limitação da pessoa. Participaram do estudo sete profissionais da área de RH. Entre os resultados encontrados estão: ausência de políticas ou diretrizes formais que orientem a disponibilização e o uso desses recursos; adaptações feitas sem planejamento prévio e sim com ações pontuais e direcionadas a situações específicas.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Percursos, processos e práticas da Gestão de Recursos Humanos: perspectivas internacionais, nacionais e locais
Silas Dias Mendes Costa
Maria Luisa Braga Campos
Este estudo analisa o impacto da atuação em empresas juniores no desenvolvimento de competências de estudantes, examinando contribuições ao aprendizado prático, atitudes empreendedoras e habilidades comportamentais e cognitivas. Realizou-se pesquisa qualitativa com 20 júniores e pós-júniores do Movimento Empresa Júnior, distribuídos nas cinco macrorregiões do Brasil. Os resultados indicam que a participação favorece competências interpessoais e de liderança, inteligência emocional, trabalho em equipe, resiliência, planejamento, tomada de decisão e visão estratégica, além do aprendizado a partir do erro. Foram identificados seis mecanismos mediadores: autonomia e responsabilização progressiva; exposição a clientes reais e à complexidade prática; cultura de aprendizado baseada em feedback; capital social e networking; propósito coletivo; e suporte formativo. Também emergiram fatores moderadores, como tempo de permanência, nível de responsabilidade, complexidade dos projetos, suporte institucional e características pessoais. Como desfechos, observaram-se efeitos imediatos, intermediários e estruturais na empregabilidade, trajetória e identidade profissional. O estudo explicita mecanismos ainda pouco descritos na literatura.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Percursos, processos e práticas da Gestão de Recursos Humanos: perspectivas internacionais, nacionais e locais
Ilton Luiz Assi
A adoção tecnocrática do People Analytics (PA) frequentemente colapsa no “paradoxo da fragmentação”, gerando governamentalidade algorítmica e entrincheiramento em silos. Para superar essa cegueira ontológica, este ensaio propõe o Vetor de Convergência Analítica (VCA). Alicerçado na intersecção entre a Gestão Baseada em Evidências (EBM), o HRM-as-Practice, a Visão Baseada em Recursos (RBV) e as Capacidades Dinâmicas (DC), o estudo reposiciona o PA como o tecido conectivo da integração organizacional. O VCA estrutura-se em quatro fases: Interoperabilidade Semântica, Arbitragem Epistêmica, Responsabilização Horizontal e Reconfiguração Ágil. Demonstra-se que, ao constituir uma Fonte Única de Verdade como “objeto de fronteira”, a Arbitragem Epistêmica substitui a gestão baseada em opiniões por uma “responsabilidade emaranhada”. Nesse nexo sociotécnico, evidências validadas são tensionadas pela “phronesis” gerencial, diluindo a “culpa vertical” da GRH e solidificando a coesão sistêmica com Finanças e Operações. Conclui-se que a orquestração do VCA liberta a organização das disputas políticas e converte a força de trabalho em uma capacidade dinâmica, rara e inimitável. O modelo quando aplicado tende a validar o PA não como instrumento de controle opaco, mas como o sistema nervoso da co-inteligência corporativa. Palavras-Chave: People Analytics, Gestão Algorítmica, Sociomaterialidade, Gestão Baseada em Evidências, Capacidades Dinâmicas
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Percursos, processos e práticas da Gestão de Recursos Humanos: perspectivas internacionais, nacionais e locais
Wellington Idalino da Silva
Julio Araujo Carneiro da Cunha
O Facilities Management (FM) enfrenta dilema de legitimidade estratégica mediante a pressão rotineira por entrega operacional. Diante disso, o objetivo foi propor um modelo conceitual baseado em Gestão Estratégica de Pessoas (GEP) para amenizar desafios típicos da terceirização em FM mediante esse contexto. Realizou-se num estudo de caso único em escritório corporativo com FM. 14 entrevistas com profissionais de FM e trabalhadores terceirizados de FM foram realizadas e analisadas por meio da análise de conteúdo. Geraram-se cinco categorias: Inovação e tecnologia; Estratégia e objetivos; Motivação, comprometimento e liderança; Carreira e desenvolvimento; Humanização e cultura. A partir disso, elaborou-se um modelo que integra antecedentes, que promovem desenvolvimento, motivação intrínseca e comprometimento afetivo, o que pode reduzir absenteísmo e a inovação incremental. Teoricamente, o estudo contribui integrando a GEP e o FM, a partir das categorias da pesquisa, formulando proposições sobre a agenda que considera a gestão estratégica de terceirizados. Gerencialmente, sugere-se investir em lideranças, carreira, capacitação e equidade para melhorar desempenho e bem-estar dos trabalhadores. Ao alinhar liderança, pessoas e governança da terceirização aos objetivos do negócio, o FM deixa de ser apenas considerado suporte operacional e se coloca como função estratégica geradora de valor para a organização.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Saberes, Aprendizagem Multinível e Gestão do Conhecimento
daniel saldanha guedes
Franchise networks have been predominantly examined through contractual, economic, and efficiency-oriented lenses. While these perspectives have generated important insights, they provide limited explanations of how knowledge is produced, legitimized, and reintegrated within hybrid interorganizational arrangements. Despite advances in organizational learning, communities of practice, and relational governance, the interaction between corporate and community-based knowledge in franchise systems remains under-theorized. This theoretical essay addresses this gap by conceptualizing franchise networks as cognitive ecologies in which heterogeneous knowledge regimes coexist and interact. Methodologically, the study is developed as a model paper (Jaakkola, 2020), advancing conceptual relationships guided by Whetten (1989), Corley and Gioia (2011), and the problematization approach proposed by Alvesson and Sandberg (2013). The article introduces the construct of cognitive governance to explain how knowledge circulation is coordinated through multilevel mechanisms of codification, practical translation, and collective reintegration. The framework shifts franchising research from contractual control to epistemic coordination, integrates situated learning and knowledge management, and offers a process-based explanation of how coherence and variation are jointly sustained in franchise networks.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Saberes, Aprendizagem Multinível e Gestão do Conhecimento
LIDIANE MENDES BARBOSA
Diógenes de Souza Bido
Aprender por meio de erros reforça o próprio aprendizado individual e em grupo de trabalho que, em ambientes cada vez mais complexos e competitivos, precisam compartilhar experiências para inovarem e se diferenciarem no mercado. A segurança psicológica do grupo é um fator determinante para que a aprendizagem a partir do erro ocorra, e a forma de comunicação influencia essa relação. Diante disso, esta pesquisa teve como objetivo desenvolver e testar um instrumento para diagnóstico da comunicação não violenta (CNV) do ponto de vista psicométrico e nomológico. Foi realizada uma survey com 308 respondentes, com análise dos dados por meio do software SmartPLS. Sendo confirmada a validade e confiabilidade da mensuração da CNV por meio de cinco dimensões: observação, sentimento, necessidade, pedido e escuta empática, que, por sua vez, possui duas dimensões: a escuta sem julgamento e a escuta que busca a compreensão. Quanto à validade nomológica, CNV explicou 9.5% da variância da segurança psicológica e 11.6% da variância da aprendizagem a partir dos erros. O aprimoramento das habilidades de comunicação por meio da CNV aproxima nossa humanização, não pela conformidade, e sim, para que se construam espaços seguros para o desenvolvimento de pessoas, aprimoramento de tarefas e fortalecimento de equipes.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Saberes, Aprendizagem Multinível e Gestão do Conhecimento
ALINE FERNANDA FERREIRA ARAUJO
Felipe Gouvêa Pena
O presente estudo teve como objetivo compreender como a “Memória Organizacional” (MO) é simbolizada por um grupo formado por técnicos, gestores e ex-servidores da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG), a partir de suas vivências em períodos de alternância política. Para tanto, com base nas premissas de uma abordagem qualitativa, aplicou-se o Teste de Evocação de Palavras (TEP) a 28 integrantes do grupo mencionado, o que permitiu a identificação das representações sociais desses sujeitos em relação à expressão indutora “Memória Organizacional”. Os resultados evidenciaram que a MO é compreendida como um recurso estratégico de resiliência institucional, sustentado tanto por mecanismos formais de registro quanto pelas vivências e saberes construídos nas relações de trabalho. Ademais, destaca-se sua relevância para a continuidade das ações estatais, especialmente em contextos de mudanças administrativas, contribuindo para o fortalecimento da governança pública, a redução de retrabalhos e a promoção de decisões mais assertivas e eficientes.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Saberes, Aprendizagem Multinível e Gestão do Conhecimento
Roberto Lima Ruas
Franciane Freitas Silveira
Resumo: O ambiente socioeconômico contemporâneo é marcado por elevados níveis de incerteza, volatilidade e transformação digital, intensificando situações organizacionais caracterizadas por complexidade, insuficiência informacional e imprevisibilidade decisória. A resposta a essa demanda esbarra em três limites no desenvolvimento de competências: a) baixa articulação entre conhecimento conceitual e práticas capazes de simular a incerteza; b) carência de métodos estruturados que integrem situações de incerteza e princípios de aprendizagem; c) dificuldade para transferir aprendizagens do treinamento para o trabalho. Diante dessa problemática, o objetivo deste estudo é propor o MDCI – Método de Desenvolvimento de Competências para Lidar com a Incerteza, fundamentado em práticas teatrais e princípios de aprendizagem ativa. O estudo adota a Design Science Research (DSR), seguindo os três ciclos interdependentes de relevância, design e rigor. As principais contribuições são: a) um método integrador de Situações de Incerteza nas Organizações (SIO), Competências Gerenciais, Práticas Teatrais e Princípios de Aprendizagem Ativa; b) uma arquitetura vivencial e progressiva que reduz o hiato teoria–prática na simulação de ambientes incertos; c) princípios de design generalizáveis para orientar intervenções similares; d) uma lógica de avaliação do desenvolvimento de competências e de sua transferência para o trabalho. Palavras-chave: incerteza organizacional; competências gerenciais; práticas teatrais; aprendizagem ativa.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Saberes, Aprendizagem Multinível e Gestão do Conhecimento
Debora Calabro Gonzalez
Diógenes de Souza Bido
Este estudo investiga a relação entre o uso da Inteligência Artificial Generativa (GenAI) no ambiente de trabalho e a aprendizagem dos indivíduos, considerando o papel da reflexão e da reflexão crítica como fatores explicativos desse processo. O objetivo é analisar os efeitos da GenAI na aprendizagem, bem como verificar o papel moderador da reflexão. A pesquisa adotou uma abordagem quantitativa, com dados coletados por meio de survey aplicado a 91 profissionais atuantes em organizações, em sua maioria de grande porte e do setor privado. A análise foi realizada por meio de modelagem de equações estruturais com mínimos quadrados parciais (PLS-SEM). Os resultados indicam que o uso da GenAI exerce efeito positivo e significativo sobre a aprendizagem, assim como sobre a reflexão e a reflexão crítica, sendo esta última o fator com maior impacto. Por outro lado, não foram encontradas evidências de efeitos moderadores significantes. Os achados contribuem para a literatura ao integrar o uso da GenAI aos processos de aprendizagem exploratória e de explotação, evidenciando a importância da reflexão no desenvolvimento de competências no trabalho. Os resultados indicam que organizações devem estimular o uso consciente da GenAI aliado ao desenvolvimento da reflexão.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Saberes, Aprendizagem Multinível e Gestão do Conhecimento
Otávio Henrique Pereira
CAROLINA APARECIDA DE FREITAS DIAS
Learning Analytics (LA) é definido como a mensuração, coleta, análise e apresentação de dados de estudantes e seus contextos com o objetivo de compreender e otimizar o ensino, aprendizagem e os ambientes em que ocorrem. A presente pesquisa teve como principal objetivo analisar a literatura de LA e apresentar as suas características por meio de 13 dimensões (categorias) de análise. A amostra de 68 artigos contemplou estudos de revisão e meta-análise, obtidos na base de dados Web of Science, os quais foram submetidos à análise de conteúdo, organizados e sintetizados com apoio da matriz de síntese. Os resultados revelaram que LA é um campo recente e foi codificado a pouco mais de uma década, mas que apresenta potencial para otimizar resultados estudantis e auxiliar em processos decisórios. Foram identificados os principais dados e técnicas empregados e, em termos contextuais, constatou-se que LA é frequentemente aplicado por instituições e organizações de grande porte. Devido ao escopo da amostra admitir apenas artigos teóricos, a ausência de artigos empíricos foi considerada uma limitação de pesquisa, entretanto, este estudo configura-se como uma pesquisa descritiva e, observada a convergência entre os resultados observados nos estudos da amostra, foi possível oferecer um panorama geral do tema.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de Pessoas e a Educação para o Desenvolvimento Sustentável
Maria Angélica de Araújo Oliveira
A educação para sustentabilidade ocupa espaço central na formação superior em Administração, diante da necessidade em preparar profissionais capazes de atuar de maneira responsável, impactando positivamente as organizações e a sociedade. Apesar dos avanços na introdução da sustentabilidade aos currículos, permanece o desafio em estruturar processos formativos efetivos para desenvolvimento de competências voltadas à gestão sustentável. Nesse cenário, as Instituições de Ensino Superior (IES) assumem papel central, juntamente com as recentes atualizações que integram as atividades de extensão universitária ao currículo acadêmico ganhando destaque, à medida que possibilitam práticas que articulam teoria e prática na formação superior. Entre as iniciativas que apoiam a educação para sustentabilidade, os Principles for Responsible Management Education (PRME) destacam-se como referência internacional na formação de gestores comprometidos com a sustentabilidade. O objetivo deste estudo é compreender a extensão como mecanismo estratégico para o desenvolvimento de competências sustentáveis na formação em Administração, articulando-a ao PRME. Trata-se de um estudo teórico argumentativo, que articula competências para sustentabilidade, princípios do PRME e extensão universitária. O estudo aponta que a articulação entre extensão e o desenvolvimento de competências para sustentabilidade, representa uma oportunidade concreta para formação de profissionais capazes de atuar com consciência sistêmica, responsabilidade ética e compromisso social.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de Pessoas e a Educação para o Desenvolvimento Sustentável
Bruna Prado De Bellis
Fernanda Cassab Carreira
Ianaira Barretto Souza Neves
Since the Industrial Revolution, human activities have generated environmental impacts that threaten the stability of the systems necessary to sustain life on Earth. The industrial sector, an important contributor to these impacts, faces growing pressure to improve its sustainability performance, making the training of professionals to address these challenges a critical factor. This Delphi study conducted in three rounds gathered insights from 27 leaders in Brazilian manufacturing industries to identify competencies that young professionals should possess to support their organizations’ sustainability agendas. The experts reached an 88% consensus on ten competencies distributed across four categories: social, cognitive, functional, and meta- competencies essential for this purpose. These findings align with and expand upon existing theoretical frameworks, contributing to the development of technical educational curricula that can equip future professionals with strategic capabilities for the green transition. This study supports the advancement of sustainability-driven innovation and competitiveness in the Brazilian industrial sector.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de Pessoas e a Educação para o Desenvolvimento Sustentável
Caroline Krüger
Adriana Fiorani Pennabel
Rafael Christofoletti
Patrick Verfe Schneider
Fábio Henrique Correa Bogado Guimarães
Adriana Cristina Ferreira Caldana
Given the currently complex context, fostering Competencies for Sustainable Development (CSD) has become increasingly relevant, as it equips individuals to address sustainability challenges. Higher Education Institutions (HEIs) play a pivotal role in preparing change agents for society. Existing literature has largely examined CSD from the perspectives of students and professors, highlighting academic staff as key drivers of students’ competency development, while discussions about non-academic staff remain limited. Recognizing HEIs’ human resources (HR) as essential sustainability change agents, this study investigates the drivers and barriers (D&B) to developing CSD within HEIs’ HR. A systematic literature review of 93 articles mapped the current knowledge frontier and identified key D&B shaping CSD development. Additionally, interviews with 59 experts (20 local specialists representing academic and non-academic staff and 39 international experts) provided a comprehensive perspective on these factors. The findings resulted in an integrative framework that consolidates the main elements influencing CSD development within HEIs’ HR, contributing theoretically by advancing understanding of this process. Practically, the study offers guidance for HEIs to reassess policies and practices related to CSD and highlights both academic and non-academic staff as relevant change agents toward a more sustainable world.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de Pessoas e a Educação para o Desenvolvimento Sustentável
Caroline Krüger
Adriana Fiorani Pennabel
MARLON FERNANDES RODRIGUES ALVES
Rafael Christofoletti
Fábio Henrique Correa Bogado Guimarães
Adriana Cristina Ferreira Caldana
Fostering Competencies for Sustainable Development (CSD) among human resources (HR) at Higher Education Institutions (HEIs) is of growing scholarly and practical importance, as HEIs act as key agents of individual and collective transformation with broad societal implications. While prior research has extensively examined CSD development among students and the pedagogical role of professors, limited attention has been given to the integrated assessment of sustainability competencies across HEIs’ HR, including academic and non-academic staff. To address this gap, we conducted a three-phase, sequential mixed-methods research program to develop and validate an instrument for assessing CSD in HEI’s HR. Phase 1 comprised a systematic literature review of 271 studies, from which 41 key papers were selected to identify the conceptual attributes required for instrument development. Phase 2 focused on conceptual validation through expert input, engaging 40 specialists to refine and validate the instrument’s content. Phase 3 provided empirical validation using Structural Equation Modeling based on survey data from 172 respondents across multiple countries. Together, the phases support a theoretically grounded and empirically validated CSD assessment instrument. Practically, this tool strengthens universities’ capacity to evaluate, monitor, and enhance sustainability-oriented competencies and practices across their workforces.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de Pessoas e a Educação para o Desenvolvimento Sustentável
Camila Pires de Angelucci
Lara Zanello Pires
Thiago Tiburcio Vicente
DELAINE GOULART DA ROCHA
Adriana Cristina Ferreira Caldana
Silvia Inês Dallavalle de Pádua
A crescente incorporação das agendas ESG nas organizações tem ampliado a necessidade de integrar desenvolvimento humano, coordenação organizacional e melhoria contínua dos processos, especialmente em setores responsáveis pela articulação transversal de iniciativas socioambientais. Nesse contexto, dificuldades de visualização das interdependências operacionais e fragmentação das atividades podem comprometer o engajamento das equipes e a efetividade das ações organizacionais. Este relato tecnológico apresenta o desenvolvimento, a implementação e a avaliação de um modelo integrado de intervenção formativa aplicado ao setor de sustentabilidade de uma empresa multinacional, envolvendo 18 colaboradores distribuídos entre unidades no Brasil e no Uruguai. O estudo adotou abordagem de pesquisa-intervenção com coleta de evidências múltiplas, incluindo diagnóstico inicial, survey prévio, registros colaborativos e observação participante, analisados por triangulação qualitativa e estatística descritiva. Os resultados indicaram ampliação da compreensão compartilhada dos processos, fortalecimento da colaboração interunidades e geração de micro ações organizacionais voltadas à melhoria operacional. Conclui-se que a articulação estruturada entre desenvolvimento de competências, visualização sistêmica do trabalho e dinâmica de cocriação constitui um mecanismo aplicável para apoiar coordenação organizacional e aprendizagem coletiva em contextos corporativos orientados à sustentabilidade.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de Pessoas e a Educação para o Desenvolvimento Sustentável
Maria Angélica de Araújo Oliveira
A gestão orientada pela interdependência entre as dimensões econômica, social e ambiental tem se consolidado como tema recorrente na teoria e na prática organizacional. Nesse cenário, o posicionamento dos Administradores assume papel estratégico, constituindo-se como ponto de inflexão para transformações que ampliem a geração de valor para as organizações e seus stakeholders. As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) representam o direcionamento dado às Instituições de Ensino Superior (IES) na construção dos Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs). O objetivo deste estudo é analisar em que medida as DCNs do Curso de Graduação em Administração, instituídas pelas Resoluções nº 04/2005 e nº 05/2021, incorporam competências sustentáveis no processo formativo do Administrador, identificando avanços e desafios frente às demandas contemporâneas de sustentabilidade. Trata-se de um ensaio teórico, fundamentado em levantamento bibliográfico e análise documental comparativa. Os resultados indicam que, embora a Resolução de 2021 apresente ampliação discursiva no que se refere à incorporação de dimensões sociais, ambientais e éticas na formação, os avanços são limitados no plano estrutural, não configurando a sustentabilidade como eixo central e articulador da formação. Apresenta-se ainda, desafios significativos para as Instituições de Ensino Superior quanto à inserção efetiva e interdisciplinar do tema no currículo.
Divisão: GPR - Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho
Tema de Interesse: Gestão de Pessoas e a Educação para o Desenvolvimento Sustentável
Adriana Fiorani Pennabel
Daiane Reis Silva
Fábio Henrique Correa Bogado Guimarães
Caroline Krüger
Diante do cenário global, torna-se urgente promover o desenvolvimento de competências que preparem os indivíduos para atuar de forma transformadora diante dos desafios da sustentabilidade. Nesse contexto, as Instituições de Ensino Superior (IES) desempenham um papel estratégico como formadoras de agentes comprometidos com essas mudanças. Na literatura, estudos empíricos examinam metodologias específicas para a promoção de competências para o desenvolvimento sustentável (CDS). Contudo, ainda não há consenso sobre qual metodologia é mais eficaz para tais competências, especialmente no contexto dos recursos humanos (RH) das IES. Diante dessa lacuna, a presente pesquisa investiga quais abordagens pedagógicas são mais adequadas à promoção das CDS, considerando os diferentes perfis institucionais das IES. Para tanto, conduzimos uma revisão sistemática da literatura sobre metodologias de ensino no contexto das CDS. Ao todo, 79 artigos foram analisados, com o objetivo de relacionar as metodologias voltadas à promoção das CDS e os principais perfis institucionais das IES – alunos, docentes e profissionais não acadêmicos. Nossa pesquisa contribui para o avanço das discussões sobre a promoção das CDS nas IES, especialmente ao abordar integralmente os diferentes perfis institucionais, incluindo os profissionais não acadêmicos. Na prática, os resultados apoiam as IES na implementação de processos para a promoção das
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